Crítica | Sung Song Blue: Um Sonho a Dois

Song Sung Blue: Um Sonho a Dois (Estados Unidos, 2025)​

Título Original: Song Sung Blue
Direção: Craig Brewer
Roteiro: Craig Brewer
Elenco principal: Hugh Jackman, Kate Hudson, Michael Imperioli, Ella Anderson, Mustafa Shakir, Fisher Stevens e Jim Belushi
Duração: 132 minutos
Distribuição: Universal Pictures Brasil

Quando um filme trata de um elemento muito específico de uma cultura, é normal que seu alcance acabe sendo limitado para as pessoas que não são pertencentes àquela cultura. Obviamente, um filme deve funcionar (e funciona) independentemente disso, como provado recentemente com O Agente Secreto (2025) encontrando o seu espaço no meio de Hollywood. No caso de Song Sung Blue – Um Sonho a Dois, certamente um conhecimento mais profundo ou entusiástico sobre o cantor estadunidense Neil Diamond faria com que a obra crescesse aos olhos e ouvidos do espectador – o que ainda pode ser o seu caso, mas certamente não é o meu.

De acordo com matérias relacionadas ao filme, o diretor assistiu ao documentário homônimo de 2008 de Greg Kohs e logo foi atrás dos direitos intelectuais para realizar uma ficção a partir dessa história real. A história contada é do casal Lightning and Thunder, nomes artísticos de Mike (Hugh Jackman) e Claire Sardina (Kate Hudson), casal que chegou à fama ao interpretar músicas de Neil Diamond. E, como eles mesmos brincam no filme, se você pensa que não conhece o artista, certamente conhecerá ao menos Sweet Caroline, sua canção de maior sucesso.

A questão de suas músicas serem um sucesso é praticamente o que vai ditar toda a parte musical do filme, com performances que recriam os shows da dupla em um tom realista ao invés de ter alguma ousadia para apresentá-las. O formato de se garantir com a popularidade pode funcionar para fãs do cantor e as performances vocais de Hugh Jackman e Kate Hudson são impecáveis. No entanto, para quem está ouvindo as canções pela primeira vez, o formato se mostra cansativo, ainda que seja necessário para contar essa história em específico. Quando a obra parte para a sua narrativa falada, seu roteiro se torna bem mais interessante.

Sua primeira cena já deixa bem claro qual será o tom de toda a obra: começamos com um plano fechado no rosto de Jackman enquanto ele se apresenta e canta sua primeira música. Ao abrir o plano, em seguida, percebemos que ele está em uma reunião dos Alcoólicos Anônimos, indicando tanto um controle da forma quanto uma maneira inteligente de como utilizá-la. A história que ele irá contar parece bem baseada em fatos reais, mas não é possível saber quais são os limites do que é ficcionalizado dado o quão bizarras algumas partes da narrativa se tornam – mas pode ser um daqueles casos no qual a realidade consegue superar as expectativas de qualquer ficção.

O que acaba se tornando um problema adicional é a percepção de que, quando a obra consegue acertar em uma fórmula, acaba repetindo-na diversas vezes ao longo do filme e isso acaba o tornando cansativo. Seja a dinâmica de Mike com suas duas filhas, o uso de planos fechados para depois revelar um espaço inesperado ou até mesmo confiar muito na boa química entre os atores para manter o espectador interessado no filme. O casal principal realmente está muito bem em cena, e tem uma gama complexa de emoções a demonstrar para o público.

Além disso, esse tom descontraído durante todo o filme, que parece estar muito relacionado com a percepção do próprio diretor sobre o casal, acaba sendo problemático quando temáticas mais sérias, como a saúde mental e os vícios, se tornam mais importantes. Ainda que ele dê o devido peso às questões, suas soluções parecem um pouco mágicas, o que dá uma má impressão para quem convive com problemas do gênero.

Assim, o filme fica em uma berlinda no qual toda a sua parte técnica e as atuações são boas, mas o seu tom e direção ainda são um pouco confusos. É uma fórmula que funciona para o cinema estadunidense há décadas, mas que não traz nada de novo ao cenário já muito desgastado dos musicais.

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