Crítica | 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes | Antes do Nome

Antes do Nome (Brasil, 2025)

Título Original: Antes do Nome
Direção: Luiz Pretti
Roteiro:  Luiz Pretti
Elenco principal:  Rômulo Braga, Alfredo Nora, Andreza Magalhães, Aninha Martins, Aren Gallo e Clarice Panadés
Duração: 63 min 

Nome conhecido no circuito de festivais brasileiros, mas ainda distante do cinema mais comercial, Luiz Pretti apresenta um filme experimental hipnotizante e que consegue dialogar com diferentes públicos. Com um forte questionamento sobre a identidade e até mesmo sobre autoria, a obra traz a linguagem experimental nessa proposta de catarse coletiva que apenas o cinema é capaz de provocar.

O filme apresenta uma grande crise sobre identidade. Entre imagens de arquivo e outras filmagens inéditas, ele coloca um personagem sem passado que apenas sai do trabalho um dia e decide nunca retornar. Mas para quem espera qualquer espécie de linearidade ou narrativa tradicional, a experiência pode ser frustrante na medida em que ele parece ir cada vez mais fundo em seus questionamentos e buscas, sem preocupação em apresentar algum tipo de solução dentro das terras. É um filme que se sente muito mais do que se compreende.

As diversas imagens de tempestade que iniciam o longa são um prenúncio sobre suas intenções em relação aos espectadores. Dentro de sua mistura de imagens e linguagens, ele explora muito conceitos sobre o que faz com que uma pessoa se torne aquele indivíduo em particular – e extrapola o conceito também para cidades e até mesmo países. Ao escolher como protagonista uma pessoa quase genérica, que passeia em um grande centro urbano reconhecível apenas a quem o conhece mais profundamente, cria-se toda a possibilidade de projeção que a tela de cinema nos permite. E, quando entramos em seu ritmo cadenciado, mesmo com os desafios de um filme experimental, é possível ter uma experiência cinematográfica bastante profunda.

Isso acontece principalmente porque a identidade, tema tratado a partir da questão de nome, é um anseio humano básico. Pertencer a algo, ver-se identificado com algum grupo. Então, mesmo nos momentos mais complexos de tentativa de compreensão das imagens que são apresentadas de maneira que parecem bem particulares ao seu diretor, roteirista e montador. Vale acrescentar que Luiz Pretti comentou em uma conversa com o público após o filme que nega a noção clássica de autoria da obra, sendo ela “uma radiografia das dúvidas e incertezas de seus 12 anos de gestação”. Considerando o processo coletivo que todo o Brasil passou nos últimos doze anos, faz sentido que o privado dialogue com o público.

Assim, a obra experimental tem uma grande abertura ao público e se torna acessível mesmo a quem tem maiores dificuldades com essa linguagem. O belíssimo trabalho de Pretti reflete os dilemas de nosso tempo e consegue explorar imagens e conceitos de forma igualmente radical e coletiva.

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