A New Dawn (Japão, França, 2026)
Título Original: 花緑青が明ける日に (Hana Rokushô Ga Akeru Hi Ni)
Direção: Yoshitoshi Shinomiya
Roteiro: Yoshitoshi Shinomiya
Elenco principal: Riku Hagiwara, Kotone Furukawa, Miyu Irino, Takashi Okabe
Duração: 76 minutos
Existem duas categorias de filmes que raramente estão dentro das mostras competitivas de grandes festivais mas que, quando estão, me deixam muito feliz: documentários e animações. Talvez por utilizarem uma linguagem ou técnica distantes daquelas da ficção clássica, eles acabam sendo afastados desses espaços e ficando mais restritos a um circuito específico. Ver então uma animação, e ainda mais japonesa e em 2D (com raros momentos de stop motion em 3D) causa um estranhamento feliz, além do interesse no que será apresentado.

Em uma pequena cidade pitoresca do interior japonês, o avanço da urbanização coloca em risco toda uma vila, na qual está inclusa uma fábrica de fogos de artifício com mais de 300 anos de tradição. Então, três jovens que cresceram juntos na região vão em busca de Shuhari, um fogo de artifício lendário, para tentar convencer as grandes corporações de que aquela região não deve passar pela incorporação imobiliária. Ou seja, ele junta uma narrativa de amizades que estão crescendo e caminhando para direções diferentes com a grande trama da ameaça da modernidade sobre aquilo que é tradicional, falando sobre duas temáticas muito pertinentes.
Ainda que isso gere um interesse automático, ele não é o suficiente para manter o espectador atento pelos menos de 80 minutos que se seguirão. Isso porque, para além de uma temática interessante e um visual realmente incrível, a obra tem pouco a oferecer. O modo que essa história se desenvolve é bastante simplista, lidando apenas com essa luta de nós versus o mundo que já está presente em sua própria proposta. O outro elemento que poderia tornar a história mais interessante, que são os personagens, são mal aproveitados e parecem andar em círculos em relação aos seus próprios interesses ao invés de conseguir ajudar o avanço da trama. Soma-se a isso que toda a narrativa parece estar acontecendo em um ritmo diferente daquele que a plateia está presenciando – o que pode ser apenas por uma diferença do tom das obras japonesas e das brasileiras, mas como alguém acostumado a assistir filmes japoneses, tendo a acreditar que não seja apenas um problema de barreira cultural.
O filme tem um foco muito maior na sua forma do que no conteúdo, e isso consegue levá-lo a alguns pontos interessantes em relação ao que vemos na tela. Seja na mudança do 2D para o 3D em stop motion, ou até mesmo nas sequências de fogos de artifício, tem-se a sensação de que estamos presenciando algo sublime – algo que faz bastante sentido dada a formação de Yoshitoshi Shinomiya como pintor tradicional japonês. Mas, afora esses momentos de euforia, temos muito pouco com o que nos relacionar para gerar laços mais afetivos com a obra.
Que possamos seguir interessados às histórias que fogem do padrão narrativo mais clássico, mas também sejam eficientes em contar uma história compreensível para o público que as assiste.




