Crítica | 76º Festival de Berlim | Home Stories

Home Stories (Alemanha, 2026)

​Título Original: Etwas ganz Besonderes
Direção: Eva Trobisch
Roteiro: Eva Trobisch
Elenco principal: Gina Henkel, Eva Löbau, Mark Oliver Bögel, Oliver Breite e Frida Hornemann
Duração: 116 minutos

O cenário é o seguinte: Lea (Frida Hornemann) é uma adolescente alemã que, entre os pormenores de estar passando por essa fase de compreensão de si e do mundo ao seu redor, também se inscreve em uma competição nacional para cantores ao estilo American Idol ou The X Factor. Entre as questões levantadas pelo programa, está uma sobre quem ela é e o que a torna especial, e este é o ponto de partida para que ela entre em uma espécie de crise existencial precoce sobre a sua própria existência. Ela mora com sua família em um hotel que eles possuem nas florestas de Greiz e sua vida não parece particularmente interessante, algo que deve ser uma frustração comum para os jovens europeus brancos de classe média.

Mas essa questão também é o que motiva a busca pelas histórias familiares que o título faz alusão. Existe uma quantidade grande, talvez excessiva, de personagens, cada um deles com sua própria história. Os pais de Lea acabaram de se separar e a mãe está grávida de outra pessoa. A tia sofre ao tentar fazer uma renovação de um espaço que foi importante durante o período de divisão da Alemanha. Os avós sofrem para tentar manter o hotel aberto, e acabam aceitando uma proposta para permitir um congresso de um grupo conservador nele. E ainda há todo o drama com a sua melhor amiga, com a qual ela segue brigando por todo o filme, principalmente em torno de atenção masculina.

Se essas parecem histórias que mereciam um filme para cada, essa é uma percepção correta. Ainda que o longa-metragem dê a possibilidade de que várias sub-tramas possam se encaixar a partir desse ponto inicial, infelizmente não há tempo para desenvolver melhor nenhuma dessas tramas, e o espectador se encontra perdido tentando lembrar qual o seu sentido. Até mesmo a personagem principal parece por vezes esquecida em meio à necessidade de colocar tantos contrapontos, deixando de ser essa âncora para que o filme continue seguindo em frente. Isso talvez se some à situação pouco ideal de assistir ao longa, em alemão com legendas em inglês, nenhuma das duas minha língua natal, e com diálogos bastante rápidos e que nem sempre têm tempo de ser absorvidos.

Algumas das discussões trazidas, como essa onda de conservadorismo que foi tema inclusive do próprio festival, e a conservação histórica de um país que passou por tantas mudanças nos últimos anos, são interessantes não apenas pelo assunto mas também pelo viés específico que eles são colocados em pauta. Mas ao invés de isso funcionar a favor do filme, pela sua falta de tempo para desenvolver esses assuntos acaba acontecendo o exato oposto, com o interesse criado nunca conseguindo ser melhor explorado.

Sem conseguir nem apresentar e menos ainda concluir todas as propostas que apresenta, o filme acaba se tornando cansativo mesmo com a curta duração. A falta de propostas que ele traz talvez não fosse um problema em uma obra um pouco mais experimental, mas não consegue dialogar com a proposta mais clássica que carrega desde o seu início.

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