Crítica | O Diabo Veste Prada 2

O Diabo Veste Prada 2 (Estados Unidos, 2026)

Título Original: The Devil Wears Prada 2
Direção: David Frankel
Roteiro: Aline Brosh McKenna
Elenco principal: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci, Justin Theroux e Simone Ashley
Duração: 1h59min
Distribuição: 20th Century Studios

Quando O Diabo Veste Prada (2006) foi lançado, o mundo estava culturalmente em um lugar muito diferente de onde estamos atualmente. Pensando de maneira simples, o mundo ainda não tinha passado pelo movimento Me Too, pela pandemia, e muito pouco era falado sobre a busca por uma equidade nos ambientes de trabalho. Assim, trazer o universo da moda, e mais do que isso, do jornalismo fashion, foi uma excelente maneira de colocar algumas questões como a ambição feminina e o uso de diferentes métricas para homens e mulheres nas telonas.

Agora, em 2026, essas personagens já muito queridas pela cultura popular retornam em versões atualizadas. Andy Sachs (Anne Hathaway) se tornou uma jornalista premiada, enquanto Miranda Priestly (Meryl Streep) segue como editora da famosa revista de moda Runaway. Mas, por motivos explicados logo no início da obra, elas precisam voltar a trabalhar juntas – e essa claramente não será uma experiência que vai trazer à tona o melhor de nenhuma delas.

A obra brinca bastante com a ideia de que certas situações nunca mudam, repetindo bastante da estrutura narrativa do primeiro com algumas atualizações. Há, por exemplo, um grande comentário que circula por todo o filme sobre o atual tratamento dado aos jornalistas, sejam eles de assuntos políticos ou mesmo de moda. Neste mesmo sentido, fala-se um pouco sobre a digitalização de periódicos impressos e também sobre a aquisição de grandes empresas tradicionais por pessoas de mercados que pouco conhecem daquilo, levando a um grande desgaste dentro do clima interno das empresas que foram compradas. Há ainda o elemento da produção de conteúdos online sendo um caminho cada vez mais explorado pelas pessoas, e o quanto isso deixa o jornalismo de escanteio em alguns casos. Mas essas críticas vêm no tom de uma comédia dramática, sem muita profundidade ou proposições, apenas utilizando o tema como plano de fundo para o funcionamento de sua trama. Ainda neste sentido, também acontece muito pouca variação da trama do primeiro para o segundo filme, o que não atrapalha na sua recepção, dada a popularidade do primeiro filme. Mas, para quem presta um pouco mais de atenção ao roteiro, percebe-se uma ausência de surpresas, o que pode torná-lo um pouco enfadonho.

Mas é necessário dizer que o maior foco da obra não está em criar um roteiro inovador, mas sim algo que satisfaça à nostalgia na mesma medida em que traga um vislumbre sobre o desenvolvimento dessas personagens. Assim, percebe-se que elementos técnicos como montagem e fotografia ficam de escanteio, o que gera um incômodo ao olhar mais treinado que não consegue compreender a necessidade de uma câmera sempre trêmula, e cheia de zooms que parecem não se comunicar com a linguagem mais naturalista que o filme traz. Ainda na montagem, há um momento específico no qual Andy tem uma conversa por telefone que corta para a outra personagem e retorna para ela de maneira desordenada e que não condiz com uma produção deste tamanho.

Por outro lado, no que o filme se propõe a trazer em relação a ser um acontecimento cinematográfico, ele consegue cumprir com tranquilidade. Ele consegue, por exemplo, trazer uma quantidade avassaladora de participações especiais que serão notadas por quem tem interesse por moda ou pelo universo das celebridades. E, no quesito moda, ele dá um show digno de um desfile, com marcas e referências atuais sendo mais um dos elementos de atualização do longa.

O filme acaba cumprindo a sua promessa de entregar uma nova história deste universo após 20 anos da trama original, ainda que o faça sem se utilizar de muita criatividade para criar um novo enredo.

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