Crítica | Treta | 2ª Temporada

Treta (2026)

Direção: Lee Sung Jin, Jake Schreier e Kitao Sakurai

Roteiro: Lee Sung Jin, Anna Ouyang Moench, Gene Hong, Madeleine Pron, Alex Russell, Carrie Kemper e Niko Gutierrez-Kovner

Elenco: Oscar Isaac, Carey Mulligan, Charles Melton, Cailee Spaeny, Youn Yuh-jung, Seoyeon Jang, William Fichtner, Song Kang-ho, Mikaela Hoover

Duração: 8 episódios (350 minutos)

Disponível em: Netflix

Superar um sucesso é sempre um desafio, afinal as comparações são inevitáveis. Depois da primeira temporada de Treta (Beef) em 2023, que rendeu 8 Emmys, incluindo Melhor Minissérie, o criador sul-coreano, Lee Sung Jin, aposta em uma treta ainda maior e mais complexa para a segunda temporada.

Abandonando os personagens e histórias da temporada anterior, aqui o enredo segue quatro personagens principais que se envolvem em uma desavença repleta de ambições, jogos de poder e chantagens.

Josh (Oscar Isaac) e Lindsay (Carey Mulligan) são gerentes de um clube de golfe. Apesar de posarem como casal bem-sucedido, vivem um casamento de conflitos e brigas. Em uma briga carregada, eles são flagrados por seus funcionários, Ashley (Cailee Spaeny) e Austin (Charles Melton), um jovem casal que vê na situação uma oportunidade de subir na vida.

A partir daí, o conflito é plantado. Até então, o espectador pode até confundir as cenas com White Lotus ou História de um Casamento. É apenas no final do primeiro episódio que tudo fica realmente interessante, lembrando a atmosfera ousada da primeira temporada que nos fez reverenciar Beef.

Os personagens vão, ao longo da trama, se mostrando complexos, com camadas de interesses, inseguranças e traumas, com destaque para atuação de Carey Mulligan e Cailee Spaeny. Além do grande elenco principal, vemos participações marcantes, como Youn Yuh-jung (Minari) e Song Kang-ho (Parasita), e também diversas celebridades interpretando elas mesmas (Finneas O’Connell, Michael Phelps, etc).

O arco mais interessante, sem dúvida, é do casal jovem, cheio de promessas ingênuas – como a de nunca brigar – que começa a experienciar o inevitável peso da ambivalência e desgaste das relações. 

Uma sinopse alternativa e simplista da série poderia ser “Geração Z vivenciando o colapso do capitalismo tardio, em que a corrupção é o único meio, não só para a mobilidade social, mas, principalmente, para a sobrevivência”.

O quarto episódio, que se passa inteiramente no hospital, demonstra bem isso, com um humor satírico que, de certa forma, faz um diagnóstico de uma “geração perdida”, que comprou o sonho americano sem ler os asteriscos do contrato.

A série faz uma crítica à desigualdade social provocada pelo capitalismo, em que cada camada social tenta escalar desesperadamente para melhorar de vida, apenas para descobrir que quanto mais alto o patamar, maior é a queda.

Além do roteiro, a trilha sonora é também um destaque e tanto. Ela serve não apenas para adicionar informações sobre o estado emocional dos personagens, mas para gerar a adrenalina nas cenas impactantes do final de cada episódio, nos fazendo querer assistir o que acontece a seguir imediatamente.

No entanto, nem sempre esses ganchos funcionam propriamente. Alguns podem parecer forçados, como que preenchendo uma obrigatoriedade do novo padrão de séries de streaming. Mas de qualquer forma, é fácil relevar pela qualidade geral da série.

Finalmente, comparado com a primeira temporada, a segunda temporada de Beef é divertida e envolvente, mas menos surpreendente, com (spoiler) um final mais morno, cuja mensagem é amarga e com pouca esperança: esse é o sistema que vivemos, boa sorte com isso.

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