Crítica | Pressão

Pressão (Reino Unido, França, 2026)

Título Original: Pressure
Direção: Anthony Maras
Roteiro: Anthony Maras e David Haig
Elenco principal: Andrew Scott, Brendan Fraser, Kerry Condon, Chris Messina, Damian Lewis
Duração: 100 minutos
Distribuição: Universal Pictures

É impossível ser fã de cinema e não ter assistido ao menos algumas dezenas de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. Seja pela memória das atrocidades dos campos de concentração nazistas, pela bomba atômica que devastou o território japonês, pelas estratégias de guerra ou até mesmo pela peculiaridade dos soldados brasileiros que participaram do conflito, é até difícil pensar em algum ponto de vista que ainda não tenha sido tratado. Então, surge um filme como Pressão, que traz uma abordagem ao mesmo tempo peculiar e clássica: o uso da meteorologia dentro do planejamento dos conflitos.

Pensando em como criar um ponto de vista específico dentro desta abordagem, o filme nos apresenta a figura do escocês Dr. James Stagg (Andrew Scott), um meteorologista que é convocado para auxiliar na tomada de decisão da data da invasão à Normandia ocupada pelos nazistas, que ficou conhecida globalmente como Dia D. Chamado pelo general Eisenhower (Brendan Fraser), ele passa a ter uma dinâmica complexa com o meteorologista anterior, o estadunidense Irving Krick (Chris Messina), dado que eles discordam das previsões para a data escolhida. Isso poderia se tornar mais um drama de guerra superlativo e pouco envolvente, mas há algumas decisões de fórmula que ajudam a obra a encontrar o seu próprio espaço mesmo dentro de uma temática tão super explorada.

Uma primeira decisão correta é a de criar um drama autocontido, ainda que ele se relacione com o cenário mais geral da guerra. Mesmo que existam algumas cenas que trazem a noção do tamanho do conflito global, o foco da ação está na Southwick House e nas pessoas que estão tentando tomar uma decisão. Longe de diminuir a importância de todo o conflito, isso tem na realidade o efeito de mostrar como uma decisão tomada por algumas pessoas muito qualificadas pode afetar, potencialmente, todo o mundo. E mais do que isso, ao simplificar uma trama, tem-se o foco naqueles personagens-chave, cujas atuações excelentes ajudam a dar a dramaticidade e o ritmo necessário para uma obra que, essencialmente, poderia ser repetitiva em relação ao que já foi produzido anteriormente. Criando também pequenos arcos para cada um dos personagens, torna-se possível uma aproximação dessas figuras históricas.

Com isso, toda a produção do filme fica mais enxuta e há a possibilidade de potencializar o drama com aquela locação específica. A obra nos dá uma noção pouco explorada de um espaço que foi apropriado e utilizado tanto como espaço de convivência quanto de trabalho devido às necessidades de sigilo daquele projeto. Isso também nos ajuda a ter uma noção do isolamento e sufocamento, algo que geralmente não é explorado nos filmes de guerra que são mais focados na batalha do que na tomada de decisões. Ainda que obviamente sejam necessárias concessões históricas para desenvolver uma boa obra audiovisual, existe uma eficiência em conseguir utilizar todos os elementos possíveis ao seu favor. Entra nesta questão inclusive a trilha sonora, que consegue trazer um tom que mistura o épico e o drama, mas é utilizada de forma equilibrada para acrescentar ao filme, e não se tornar protagonista dele.

Considerando essa escolha por um recorte específico, também ocorre um uso inteligente de como abordar a guerra em si, sem esquecer das vidas dos humanos que estavam em jogo fora desse campo da tomada de decisões. Ocorre, já em sua cena inicial, uma representação disso com o que ocorreu na Operação Tigre. Mas além disso, há uma escolha por utilizar algumas imagens reais da Segunda Guerra Mundial colorizadas, criando uma camada sutil da representação da realidade, e mostrando uma sensibilidade em relação ao assunto.

Com isso, mesmo que o filme seja mais uma obra focada em fatos históricos já explorados sob diversos ângulos dentro das telas do cinema, ele ainda consegue desenvolver um bom drama dentro dessa mesma temática. Com uma obra concisa, cria-se mais uma noção dentro da totalidade do que é uma guerra, nos lembrando dos custos reais de um conflito justamente em um momento no qual a humanidade parece estar à beira de alguns colapsos.

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