Politiktok (Brasil, 2026)
Título Original: Politiktok
Direção: Álvaro Andrade Alves
Roteiro: Álvaro Andrade Alves
Duração: 112 min
As eleições de 2022 foram bastante complexas, e este é um cenário que tende a acontecer de novo agora em 2026. O que o filme Politiktok faz é trazer uma visão nova para a discussão sobre política no nosso país: as redes sociais.

Com dois celulares na mão e uma ideia na cabeça, o diretor Álvaro Andrade Alves decide gravar sua tela para registrar tudo o que acontece dentro do TikTok, plataforma chinesa de compartilhamento de vídeos, nos dias que precedem às eleições. Assim, todo o material utilizado pelo filme é aquele que já está disponível na internet, organizado para criar uma crônica de como esteve a internet em um momento de tensão política extrema.
Assim como acontece em outro filme de montagem do mesmo festival, Meu Tio da Câmera, o filme parece carecer de uma curadoria mais cuidadosa para criar uma narrativa. Não que seja necessário ter uma linearidade ou cronologia, mas são tantos assuntos tratados de forma superficial que é difícil ao espectador entender qual é o sentido do filme. Ele não tem uma linguagem experimental, o que faz com que permaneçamos mais no campo das ações do que de especulações, mas acabamos especulando qual a crítica proposta. Há um subtexto de precarização do trabalho, alguns personagens carismáticos e muitos minutos de lives bolsonaristas confusas na compreensão de quem não segue aquelas pessoas.
Fica claro o posicionamento político do diretor, principalmente através das cartelas de texto no início e final do filme, mas para além disso, falta uma linha de raciocínio mais cuidadosa para o espectador. Uma das hipóteses seria falar sobre esse consumo excessivo de material rápido, mas algumas das lives mostradas no filme duram horas. Outra questão possível seria sobre o algoritmo do TikTok, que pode priorizar conteúdos a partir do que você assiste – mas isso não é nem abordado no longa. Acabamos apenas com esses trechos de informação em ordem razoavelmente cronológica que recontam o final dessas eleições caóticas pelas quais passamos. Entre ASMR e dancinhas, temos esse retrato da fragmentação que o país vivia, lidando até com a alienação.
Um fenômeno bastante interessante é o quanto o filme parece alongado nas telas do cinema, quando pesquisas mostram que o brasileiro passa de 5 a 9 horas por dia, em média, na frente de um smartphone. A falta da nossa própria curadoria e o conteúdo transposto para uma tela grande e horizontal enquanto precisamos prestar atenção plena naquilo fazem com que até os vídeos mais rápidos pareçam passar devagar. Ainda que exista um comentário a ser feito sobre o ritmo de edição do longa, isso também diz respeito a nós, como público.
O filme é cheio de boas ideias e intenções, mas perde um pouco de seu impacto por uma certa obsessão em diversos assuntos que fazem com que seu ritmo se desgaste. E talvez, em mais um ano de eleições no Brasil, ele gere um impacto mental de bônus ao pensarmos que talvez precisemos encarar tudo isso novamente.




