Crítica | 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes | Tannhäuser

Tannhäuser (Brasil, 2026)

Título Original: Tannhäuser
Direção: Vinícius Romero
Roteiro: Vinícius Romero
Duração: 73 min

Tannhäuser é um filme que desafia o público, e não de uma boa maneira. Algo já poderia ser sentido quando o filme diz se basear na obra de Emílio Bonifácio e, ao procurar na internet qual obra seria essa, encontrar apenas a obra homônima de Wagner e um jogador de beisebol dominicano com este nome. Ou sendo uma grande piada com a plateia que assistia ou sendo uma obra que trata de um contexto absolutamente específico, acredito que ninguém que assistiu o filme conseguiu compreender algo sobre a obra.

O filme se divide em capítulos, com momentos com praticamente uma leitura do que está escrito na tela, momentos absolutamente silenciosos, outro com luzes em tela que poderiam causar epilepsia em quem assiste e ainda com palavras, ideogramas e expressões de outras línguas, colocadas sem nenhum tipo de tradução em tela. Temos então mais um indicador de que o filme não está tentando nenhum tipo de comunicação com seus espectadores, sendo eles um público brasileiro.

É acrescentado a isso uma linguagem experimental, que distorce imagens e cria conceitos como o momento em que várias luas tomam a tela, ou até mesmo a repetição de água que permeia toda a narrativa. Algo que poderia ser interessante ou desafiador acaba se tornando apenas monótono e sem sentido para quem assiste, com o questionamento frequente sobre o que estamos vendo ou quais são os objetivos do cineasta com essa obra.

Os excessos também acontecem em relação à montagem, com uma repetição de imagens causando a impressão de que o filme não tem fim. Além disso, o recurso da tela completamente preta é utilizado à exaustão, aumentando ainda mais a duração da obra. Ao invés de gerar um encantamento em relação ao que é visto e uma vontade genuína de compreender melhor os seus signos, o que o espectador acaba tendo é a sensação de que a obra precisa se mostrar melhor e mais sábia do que quem está assistindo. 

Entre estes trechos que fazem muito pouco sentido para quem assiste, se destaca no último capítulo um julgamento sobre um texto que é mais compreensível e até bem humorado. Parece que ele funciona como uma recompensa para quem se manteve na sala de cinema por tempo o suficiente para vê-lo – o que é uma estratégia bastante ruim considerando o livre arbítrio de qualquer espectador de poder simplesmente sair da sala de cinema. Trata-se do julgamento de uma partitura ou poema que simplesmente não foi escrito para ser compreendido ou recitado – ou seja, a fábula sobre o próprio filme, que quer brincar com as noções do que seria um filme quase inassistível. Uma piada que até poderia ser engraçada, se não tivesse consumido o tempo de alguma coisa um pouco mais propositiva.

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