Primeiro Encontro (Itália, 2025)
Título Original: Follemente
Direção: Paolo Genovese
Roteiro: Paolo Genovese, Isabella Aguilar, Lucia Calamaro, Paolo Costella, Flaminia Gressi
Elenco principal: Edoardo Leo, Pilar Fogliati, Emanuela Fanelli, Maria Chiara Giannetta e Vittoria Puccini
Duração: 97 minutos
Distribuição: Pandora Filmes
As típicas relações humanas são um terreno fértil para o cinema de Paulo Genovese. O diretor de filmes como Perfeitos Desconhecidos retorna a essa proposta da comédia romântica com toques de engenhosidade com Primeiro Encontro, comédia italiana que foi campeã de bilheteria em seu país de origem e tem sido definida por muitos como o “Divertidamente para adultos” (como se o próprio DivertidaMente já também não fosse). Genovese, em colaboração com a roteirista Isabella Aguilar, gira a chave da clássica história de um homem e uma mulher se conhecendo, e se alternando entre momentos de conflito e carinho, ao transformar a situação num embate entre a mente de cinco homens e cinco mulheres, que transformam o simples se conhecer entre os representantes de suas cabeças num evento tão caótico quanto possível.

No filme, conhecemos Piero e Lara, que estão prestes a ter seu primeiro encontro no apartamento da moça. Como duas pessoas com um interesse mútuo uma pela outra, os primeiros momentos são marcados por uma certa timidez, onde suas personalidades parecem filtradas antes de cada um se revelar como realmente é. Cada gesto, palavra ou silêncio parece pensado para não extrapolar um limite. E cada escolha desses personagens é comandada por um conselho interno que existe na cabeça de cada um, representados por arquétipos muito conhecidos do masculino e do feminino. Nisso, o conflito é inevitável, e o que é banal se torna épico, o que é corriqueiro se torna motivo de debate, numa guerra do sexos que busca esses contrastes cômicos entre o modo de pensar, agir e falar do homem e da mulher.
Tá certo, até aí entendo as comparações com a animação da Disney/Pixar, mas tudo pára por aí. Primeiro Encontro vai em busca dessas representações das emoções e dos pensamentos desses indivíduos para moldar uma leitura muito sensível sobre inseguranças, hesitações, incomunicabilidade entre gêneros, e como nossas bagagens emocionais podem fazer total e completa diferença na busca por interações físicas e/ou amorosas. Para qualquer adulto, é um filme facilmente reconhecível justamente pelas marcações dessas interações.
E é nessa identificação que o filme encontra a sua principal muleta. As perguntas e hesitações que passam por cada um daqueles arquétipos, desde qual roupa vestir até qual perfume usar, são universais, ponto. O filme não ri do ridículo dos seus personagens, mas se diverte e se permite a confusão junto com eles. Achamos graça de neuroses que são ou também já foram nossas. No fim, saindo da idealização sobre o que cada indivíduo busca no outro, vemos esses personagens buscando uma forma de lidar minimamente bem com a ansiedade pelo afeto.
Nessas interações quase sempre previsíveis, mas muito espirituosas, Genovese extrai risadas e até expectativas muito honestas por parte do público, que se vê torcendo pelo alinhamento daquelas oito pessoas que representam os dois personagens que estão em seu encontro. Existe um elenco em excelente sintonia aqui, que sustentam o caos da coisa toda e ainda encontram tempo para uma performance que, sim, é deslocada, mas ao mesmo tempo irresistível de Somebody to Love, do Queen (aliás, esse é o título do filme nos EUA).
Mesmo que o desfecho caia numa certa banalidade por precisar resolver esse conflito numa chave um pouco mais dramática, Primeiro Encontro funciona muitíssmo bem no seu passeio enxuto (são 90 minutos muito econômicos de projeção) por vais e vens sobre sexo, afeto, feminismo, filosofia e a adequação de expectativas. Mesmo que seja o primeiro, é um encontro que vale a pena entre esse filme e o público numa sala de cinema.




