A Empregada (Estados Unidos, 2025)
Título Original: The Housemaid
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine, baseado no romance de Freida McFadden
Elenco principal: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone, Megan Ferguson e Indiana Elle
Duração: 131 minutos
Distribuição: Paris Filmes
Um livro best seller que é comentado em diversos meios, com cenas bastante picantes entre pessoas muito bonitas e muitas reviravoltas, que rapidamente recebe uma adaptação hollywoodiana com atores em alta e igualmente belos. Poderia ser Crepúsculo (2008), poderia ser 50 Tons de Cinza (2015), mas em 2025, o que temos é A Empregada. Com direção de Paul Feig, uma escolha segura dado o sucesso comercial de Um Pequeno Favor (2018) e sua sequência, o longa já inicia sua carreira atraindo uma série de leitores interessados em ver a encenação de suas cenas preferidas.

A trama se inicia de maneira envolvente. Vemos Millie (Sydney Sweeney) passando por uma entrevista de emprego para trabalhar como empregada na casa de Nina (Amanda Seyfried), uma mulher bastante organizada e que vive em uma casa dos sonhos num subúrbio estadunidense. Obviamente nada neste sonho irá ser o que parece, e assim que essa primeira cena se encerra, já temos uma primeira chave para começar a entender essa questão: ouvimos o voice over de Millie explicando que ela mentiu no currículo, sabe que não será contratada para a vaga e na realidade está morando dentro do seu carro. A surpresa e enredo do filme vêm quando a mulher é contratada e passa a trabalhar naquele espaço e a descobrir seus segredos. De portas com trancas para o lado de fora, crises psicóticas e uma criança que não quer que ela esteja ali, o sonho vai se tornando um pesadelo e o thriller passa a se desenvolver.
A grande questão, que imagino que também esteja presente no texto original de Freida McFadden, é a absoluta falta de sutileza. De falas explicativas, mudanças de rumo absolutamente imprevisíveis e até a alteração do tom da narrativa, tudo acontece de forma abrupta quando algum dos personagens decide revelar algo sobre o passado de outra pessoa ou dele próprio. Ainda que ele traga algumas discussões que poderiam ser interessantes como o abuso psicológico e os fantasmas do passado que podem perseguir uma pessoa, tudo é despejado no mesmo tom para um espectador que se diverte, mas passa toda a duração da obra esperando por mais uma grande reviravolta. E, na esperança desses grandes momentos, passa-se todo o filme sem realmente apresentar algo novo ou um pouco mais aprofundado.
Algo que certamente interfere nessa questão é a atuação de Sydney Sweeney. Ainda que a atriz tenha mostrado sua capacidade como atriz em outras obras, como Euphoria e White Lotus, aqui a sua morna apatia é elemento central para a descrença. Talvez pelo envolvimento da atriz em diversas polêmicas fora das telas que levam a uma profunda antipatia, mas também por conta deste casting mais específico para um tipo do que para uma atriz, aqui ela aparece quase como uma das bonecas presentes na casa de miniatura que o pai fez para a filha. Isso contrasta com Amanda Seyfried, que inicialmente parece estar interpretando em um tom muito além do necessário, mas que tem uma justificativa para essa volatilidade na própria trama. Millie continua parecendo inteligente demais para cair nesse papel de Cinderela encantada.
Ainda assim, o filme tem o seu carisma. Entre cenas violentas bastante satisfatórias e o clima de tesão presente entre o chefe Andrew (Brendon Sklenar) e Millie, é muito difícil não se deixar levar pela fanfarronice da obra. E ela se mostra consciente dessa característica, dando piscadelas ao público com referências como Barry Lyndon (1975) e Family Feud. Perceber que a obra se dá a devida desimportância, sabendo que não vai ser um filme que muda a vida de uma pessoa, é possível aproveitá-lo com menos seriedade e mais diversão.
É compreensível porque o livro de McFadden se tornou uma obra muito lida nos anos 2020, dadas as questões da própria sociedade que se alteraram nos últimos anos. O filme, por sua vez, parece apontar para a mesma direção estelar, ainda que abra mão da possibilidade de aprofundar discussões para gerar uma experiência cinematográfica agradável.




