Boa Sorte, Se Divirta, Não Morra (Alemanha, Estados Unidos, 2025)
Título Original: Good Luck, Have Fun, Don’t Die
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Matthew Robinson
Elenco principal: Sam Rockwell, Haley Lu Richardson, Michael Peña, Zazie Beetz, Juno Temple, Asim Chaudhry, Tom Taylor
Duração: 134 minutos
Existe um momento no qual todas as pessoas que estão acompanhando um festival de cinema pensam que precisam alienar a cabeça de temáticas relevantes e filmes extremamente sérios. É exatamente aqui que Boa Sorte, Se Divirta, Não Morra se encaixa dentro da programação da Berlinale como uma apresentação especial.

O filme é dirigido por Gore Verbinski, já conhecido por sua proeza visual em clássicos como Piratas do Caribe e O Chamado. Aqui, ele brinca com a ficção científica de viagem no tempo quando um homem (Sam Rockwell) aparece em uma lanchonete bem típica estadunidense anunciando que vem de um futuro devastado por uma Inteligência Artificial (IA) que está prestes a ser produzida e que acredita que alguma combinação entre as pessoas presentes naquela noite fará com que eles consigam instalar um protocolo de segurança que impediria o apocalipse. E, por mais que essa pareça uma premissa proposta por uma IA, ela realmente foi produzida a partir da inteligência humana.
A estrutura narrativa já é bastante confusa, passando de momentos do presente para flashbacks sobre o passado da maior parte dos personagens, e também por alguns flashforwards para esse futuro misterioso. Somos apresentados a um nível de detalhes tão precisos sobre alguns personagens que sentimos falta de conhecer melhor a história de outros, gerando um desconforto sobre a escolha de quais personagens abordar mais ou menos. Mas, por mais que isso possa parecer caótico, existe uma lógica interna na obra que é sempre mantida, fazendo com que a linha do tempo permaneça clara mesmo nesses momentos mais confusos.
Há algo de interessante no modo que o filme apresenta suas ideias sobre viagem no tempo, sendo que já faz algum tempo que esse assunto não é abordado dentro do cinema mais tradicional (ainda que Time Travel Is Dangerous! seja recente, ele infelizmente não conseguiu distribuição no mercado brasileiro até o momento). A opção de poder sempre voltar para um mesmo ponto e então poder seguir a partir dele não é uma ideia óbvia, o que traz um frescor a uma temática já bastante batida.
Mas o que realmente faz com que o filme se torne inesquecível é o comprometimento que Verbinski tem com a sua visão criativa. Seja para coordenar cenas de luta divertidas, acidentes de carro ou crianças zumbis perseguindo seu professor, a obra reflete aos espectadores uma diversão da sua produção. E, considerando que o cineasta não tem produzido muitos filmes nos últimos anos, também conseguimos perceber que há um grande comprometimento com o projeto. Existe ainda um elemento que tem sido mais presente a cada dia dentro da indústria cinematográfica que é a representação de inteligências artificiais dentro de filmes. Se elas já foram os grandes vilões em obras como Megan, agora está se buscando uma visão menos aterrorizante, e este filme segue neste sentido.
Em uma boa quebra aos filmes densos psicologicamente, ele funciona como o contrapeso ao estilo Sessão da Tarde, talvez apenas com um pouco mais de sangue. E é bom ver um filme tão divertido e descomprometido com a realidade conseguir não se levar tão a sério e se esforçar para literalmente divertir seus espectadores.




