Crítica | TIFF | Idda

Idda (Itália, 2026)

Título Original: Idda
Direção: Irene Dionisio
Roteiro: Irene Dionisio e Marco Borromei
Elenco principal: Tecla Insolia, Romana Maggiora Vergano, Giuseppe De Domenico
Duração: 93 minutos (1h 33 min)

Logo nos primeiros minutos de Idda descobrimos que o título do longa se refere ao modo que as pessoas que moram próximas ao Monte Etna se referem ao vulcão. Começando com diversas imagens de erupções e lava, somos levados a um drama muito mais particular que envolve as amigas Adele (Tecla Insolia) e Sofia (Romana Maggiora Vergano), cada uma com suas peculiaridades de comportamento, mas que têm em comum a vontade de visitar o local e escutar um sopro famoso na região, que seria capaz de revelar algo precioso para aqueles que estiverem ao seu alcance.

É uma coincidência enorme que o filme esteja sendo lançado praticamente um ano depois de Erupja (2025), filme que também coloca o Monte Etna como elemento essencial na amizade de duas mulheres bastante opostas, com a diferença de que este segundo se passa na Itália enquanto o anterior ocorre em Varsóvia. Aqui, os elementos locais se fazem bastante importantes, desde a necessidade de Adele em fotografar os elementos para poder produzir o seu artigo para a revista de viagens até a inclusão de um elemento mais místico inspirado em boatos regionais. Acompanhamos duas situações que ocorrem em períodos de tempo diferentes, sem ter muitos elementos que nos deixem claro em qual momento cada cena está acontecendo. Essa confusão parece proposital para criar um ritmo de fluxo que faz sentido para aquela história que está sendo representada. O filme se apresenta inclusive de maneira muito mais hermética do que se imaginaria pela sinopse, tanto por conta dessa temporalidade de difícil compreensão quanto pela sua montagem que mistura elementos de filmagem do vulcão com a história das amigas de forma que parece mais sentimental do que racional.

O filme apresenta uma riqueza de detalhes que fazem com que ele se aprofunde na medida em que os espectadores sabem ler os seus símbolos. Há, por exemplo, muitas referências a Santa Bárbara, a protetora contra as tempestades, e isso faz sentido tanto ao se referir ao mau tempo que impede a ascensão ao Etna quanto à própria natureza da relação das duas amigas. Mas, para aqueles que não conseguem entender essas propostas, o filme se torna cada vez mais enigmático e fechado em si mesmo, fazendo com que parte dos espectadores não consiga se aproximar de sua mensagem. O mesmo acontece com os elementos sonoros, como o som de vento que está sempre presente nas cenas onde a tensão aumenta: é uma estranheza, mas que faz sentido quando colocada no contexto da busca pelo sopro do vulcão.

O filme tem um desenvolvimento interessante, mas ele parece se perder bastante quando começa a se encaminhar para o final e não consegue encontrar maneiras de encerrar a história, caminhando cada vez mais para essa confusão entre presente e memória e recorrendo às metáforas mais óbvias relacionadas à erupção de um vulcão. É importante mencionar também que, ainda que a obra abrace o sexo de maneira envolvente e que vai contra uma boa parte dos filmes puritanos atuais, mas acaba utilizando o sexo entre duas mulheres a partir de um olhar bastante masculino. 

Tal qual as tempestades que ele coloca em cena, o filme tem dificuldade em conseguir encontrar equilíbrio. Com alguns elementos muito positivos e outros muito negativos, ele se atrapalha para tentar chegar a um final satisfatório.

Idda (Italy, 2026)

Original Title: Idda

Director: Irene Dionisio

Writers: Irene Dionisio and Marco Borromei

Cast: Tecla Insolia, Romana Maggiora Vergano, Giuseppe De Domenico

Runtime: 93 minutes (1h 33 min)

Within the first few minutes of Idda, we discover that the film’s title refers to the name locals living near Mount Etna use for the volcano. Opening with various images of eruptions and lava, the film draws us into a much more intimate drama involving friends Adele (Tecla Insolia) and Sofia (Romana Maggiora Vergano). While each has her own behavioral quirks, they share a desire to visit the site and listen to a famous local “breath” — a phenomenon said to reveal something precious to those within its reach.

It is a striking coincidence that the film is being released barely a year after Erupcja (2025), another movie that positions Mount Etna as a central element in the friendship between two contrasting women; the difference is that this new film is set in Italy, whereas the previous one took place in Warsaw. Here, local elements play a crucial role, ranging from Adele’s need to photograph the landscape for a travel magazine article to the inclusion of a mystical element inspired by regional folklore. We follow two storylines unfolding across different timeframes, with few clear indicators of exactly when each scene takes place. This ambiguity appears intentional, creating a fluid rhythm that suits the story being told. The film presents itself in a far more enigmatic way than the synopsis might suggest—partly due to this complex timeline and partly because the editing interweaves footage of the volcano with the friends’ story in a manner that feels more emotional than rational.

The film offers a wealth of detail that allows it to deepen in meaning for viewers capable of deciphering its symbols. For instance, there are numerous references to Saint Barbara, the patron saint who protects against storms, which resonate both with the inclement weather hindering the ascent of Mount Etna and with the nature of the friendship between the two women. However, for those who fail to grasp these nuances, the film becomes increasingly enigmatic and insular, leaving some viewers unable to connect with its underlying message. The same applies to the sound design, such as the ever-present sound of wind during moments of rising tension; while initially odd, it makes perfect sense when viewed in the context of the characters’ quest to find the volcano’s breath.

The film’s narrative development is intriguing, yet it seems to lose its way as it approaches the finale, struggling to find a cohesive conclusion; it drifts further into a blur between present and memory while relying on the most obvious metaphors associated with volcanic eruptions. It is also worth noting that, while the film embraces sexuality in an engaging way, bucking the trend of today’s more puritanical cinema, it ultimately depicts the sexual encounter between the two women through a distinctly male gaze.

Much like the storms it depicts, the film struggles to find its balance. With a mix of strong positives and significant negatives, it falters in its attempt to reach a satisfying conclusion.

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