Crítica | 76º Festival de Berlim | Nina Roza

Nina Roza (Canadá, Itália, Bulgária e Bélgica, 2026)

​Título Original: Nina Roza
Direção:Geneviève Dulude-De Celles
Roteiro: Geneviève Dulude-De Celles
Elenco principal: Galin Stoev, Michelle Tzontchev, Ekaterina Stanina, Sofia Stanina, Chiara Caselli
Duração: 103 minutos

Nina Roza é um filme que junta muitas temáticas dentro de uma narrativa principal. Ao contar a história de Mihail (Galin Stoev), um imigrante búlgaro que vive no Canadá e trabalha no mercado de arte, ele une elementos tanto sobre a questão de deixar o seu país natal quanto sobre o funcionamento do mercado artístico global. Na trama, ele é requisitado a viajar de volta para a Bulgária para homologar se o trabalho de uma jovem artista, Nina Roza (Ekaterina Stanina e Sofia Stanina, gêmeas que atuam interpretando a mesma personagem), e acaba tendo uma experiência pessoal de retorno ao país do qual saiu muitos anos antes.

Com temáticas que vão muito em questões pessoais e de identidade, o primeiro elemento essencial para o funcionamento da obra são as atuações, e neste sentido, não poderia ter sido realizada uma opção melhor. Ekaterina e Sofia conseguem criar juntas uma personagem que equilibra a profundidade de uma pessoa extremamente talentosa com a infantilidade natural de uma criança. Galin Stoev, por sua vez, tem uma performance bastante introspectiva, mas que funciona exatamente por estar dentro dessa chave esperada do protagonista. Com os atores dando vida a esses bons personagens, conseguimos embarcar na história e comprar os questionamentos sobre arte e exílio que nos serão trazidos, mesmo com o seu texto um pouco mais pautado em silêncios do que uma fórmula mais hollywoodiana. Os atores também ajudam o filme a evitar cair nos caminhos mais óbvios e simplistas em relação às soluções de trama, justamente por criarem uma complexidade crível.

Isso ainda é auxiliado pela fotografia da obra, que consegue contrastar os tons mais frios utilizados em Montréal daqueles terrosos presentes na Bulgária. Apesar de ser um detalhe simples, ele faz com que o universo interno daqueles personagens seja refletido em uma mudança externa, e novamente, isso nos ajuda a compreender melhor aqueles silêncios colocados pelo roteiro.

O que atrapalha um pouco a execução é que temos a sensação de que todos os elementos estão sendo colocados na mesa para serem utilizados pela narrativa e, repentinamente, ela acaba encontrando um modo de se encerrar sem deixar respostas para muitas das questões que foram levantadas até então. Isso traz uma possibilidade maior de reflexão do público sobre aquilo que foi assistido, mas também parece um rápido esgotamento dos recursos que estavam sendo apresentados.

Com uma ótima reflexão sobre o que é a arte e o que é a indústria da arte, assim como um pensamento sobre as questões migratórias do presente e até do futuro, o filme consegue seu espaço dentre os competidores da mostra principal do Festival de Berlim.

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