A Noiva! (Estados Unidos, 2026)
Título Original: The Bride!
Direção: Maggie Gyllenhaal
Roteiro: Maggie Gyllenhaal
Elenco principal: Jessie Buckley, Christian Bale, Annette Bening, Jake Gyllenhaal, Penélope Cruz, Peter Sarsgaard
Duração: 127 minutos
Distribuição: Warner Bros. Pictures
A família Gyllenhaal está cheia de talentos no cinema, e sabe muito bem como manejar a indústria cinematográfica para criar os seus projetos. Maggie Gyllenhaal mostra que a maçã não cai longe da macieira e, após muitos anos exercendo a função de atriz com competência, recentemente também se aventurou na direção de A Filha Perdida (2021), drama inspirado na obra homônima de Elena Ferrante que recebeu bastante atenção da crítica cinematográfica.

Mas seu novo projeto, A Noiva!, é muito mais ousado. Também brincando com o universo literário, ela traz a figura de Mary Shelley às telonas com a figura da noiva de Frankenstein em uma nova adaptação alucinante. Aqui, Frank (Christian Bale) faz o papel da criação do Dr. Frankenstein que, muitos anos após os acontecimentos do célebre livro, está se sentindo solitário e deseja uma companhia marital. Ele busca a ajuda da Dra. Cornelia Euphronious, médica estudiosa dos assuntos da reanimação, para criar a Noiva, sua eterna companhia. O que ninguém esperava era que a escolhida seria Ida (Jessie Buckley), uma recém falecida que havia sido possuída pelo espírito de Mary Shelley e que segue com a possessão mesmo após a reanimação. É até estranho tentar descrever um filme como este através de seu roteiro, dado que talvez ele seja muito menos importante nesta obra do que na maioria dos filmes lançados por grandes estúdios. Uma sinopse, além de incompleta, fala muito pouco sobre a experiência de assistir à obra em uma tela, preferencialmente em uma bem grande.
Já na primeira cena é perceptível que o foco não é necessariamente em contar uma história de maneira convencional. Com um enquadramento bastante próximo de Buckley, que aparece inicialmente como Mary Shelley em um discurso sobre a história que ela queria contar e nunca conseguiu, temos uma mistura de forma e conteúdo que se repetirá diversas vezes ao longo do filme. A luz que muda a cada minuto, deixando tudo no escuro ou criando o contraste do preto e branco apenas cria mais fantasmagoria ao discurso póstumo da autora em busca de contar uma nova história. Quando passamos para os seus momentos mais narrativos, já na Chicago dos anos 1930, temos essa noção de esperar apenas o inesperado – o que torna toda a experiência muito mais divertida.
Percebe-se que o filme é realizado por uma pessoa muito consciente de sua própria cinefilia e conhecimento das formas plásticas fílmicas. Seja com as cenas que referenciam lindamente o cinema expressionista alemão, as cenas musicais que falam sobre o amor ao cinema ou até mesmo todas as camadas criadas em relação ao cinema de máfia, sempre há um elemento claro de conhecimento sobre aquilo que se está falando. Só que mais do que isso, Gyllenhaal dá o passo de utilizar esse conhecimento para criar situações transgressoras e ousadas, como em um grito de uma artista que conhece todas as regras, mas já está cansada de utilizá-las em suas obras.
É justamente nesse sentido que a obra se engrandece. Mesmo que ela tenha alguns tropeções em seu ritmo, tudo se sustenta através de uma visão mais radical do que pode ser um filme de amor, e de quais são as partes mais importantes de uma obra em uma sociedade que utiliza muito o roteiro como guia se um filme é bom ou não. A diretora arrisca bastante ao trazer uma discussão sobre o amor romântico de forma mais extrema, o que tanto conversa com O Morro dos Ventos Uivantes (2026) e sua ausência de julgamento crítico sobre seus personagens quanto com o próprio Frankenstein (2025) de Guillermo del Toro, que foca no romance gótico e não atualiza muito as temáticas trazidas.




