Crítica | Anaconda (2025)

Anaconda (Estados Unidos, 2025)​

Título Original: Anaconda​
Direção: Tom Gormican​
Roteiro: Tom Gormican e Kevin Etten​
Elenco principal: Jack Black, Paul Rudd, Selton Mello, Steve Zahn, Thandiwe Newton, Daniela Melchior​ e Rui Ricardo Diaz
Duração: 1h 40 min (100 min)​
Distribuição: Sony Pictures

O público cinéfilo ama filmes sobre pessoas apaixonadas por cinema e/ou que estão fazendo filmes. Se há exemplos hollywoodianos como Rebobine, Por Favor (2008) e Crepúsculo dos Deuses (1950), também é fácil pensar em casos que fogem desse básico, como A Contadora de Filmes (2023) ou o brasileiríssimo Saneamento Básico – O Filme (2007). Aproveitar essa metalinguagem para fazer um reboot de Anaconda (1997) se mostra uma escolha acertada em diversos sentidos.

Nessa nova obra, acompanhamos um grupo de amigos formado por Doug (Jack Black), Ronald (Paul Rudd), Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandiwe Newton) – nomes já conhecidos por qualquer pessoa que aprecie uma boa comédia – enquanto eles descobrem que têm os direitos autorais para fazer um novo filme da propriedade intelectual da Anaconda. Mesmo com vidas já estabelecidas, após uma pequena resistência eles acabam decidindo ir em frente com essa aventura e seguem para a floresta amazônica, onde pretendem gravar essa nova obra. Como isso pode ser uma questão que gera curiosidade, nesse filme Selton Mello aparece como o treinador de cobras Santiago, em um tropo de excêntrico com um bom coração.

Já a partir da sinopse fica claro que o foco do filme é em gerar esse humor de metalinguagem, com a possibilidade de falar sobre o processo de fazer um filme somado às questões da nostalgia com os próprios filmes de Anaconda, principalmente o primeiro. Fala-se sobre a criação de um heroi em frente às câmeras, os perrengues de filmar de maneira independente e, ainda mais que isso, a parceria necessária para fazer com que um filme realmente saia do papel e chegue às telas de cinema. Claro, aqui exageradamente considerando uma anaconda gigante solta no meio da selva, mas com pitadas de humor que todo bom fã da sétima arte irá apreciar.

Dá um certo alívio perceber que houve uma preocupação mínima em trazer uma representatividade brasileira, ainda mais com a visibilidade externa que o cinema nacional vem recebendo. Ainda que tenha uma portuguesa em um papel central (Ana Almeida, interpretada por Daniela Melchior) e tenha sido gravado na Austrália, pelo menos o seu visual parece brasileiro, com nomes de locais e personagens secundários falando português entre si. Ou seja, mesmo indo por uma aproximação mais cômica, ele aproveita a oportunidade para fazer melhorias em questões que ele acha que foram desrespeitosas nas obras mais antigas.

Com isso, temos uma mistura que já foi mais frequente em filmes e que foi deixada de lado, de filmes de comédia para (quase) toda a família que utilizam alguns artifícios do cinema de gênero para quebrar as expectativas dos espectadores. Ele não se leva à sério e deixa isso claro desde seus primeiros minutos, mas isso nunca funciona como impeditivo para que emoções reais sejam tratadas de forma leve e dinâmica. Isso, somado ao carisma de seus personagens principais, é uma mistura explosiva para quem assiste. Nos seus momentos mais focados em ação e em dar sustos é que a obra tem alguns de seus pontos fracos, com cenas que apenas movem a trama sem algum tipo de originalidade.

Talvez essa escolha pelo caminho menos óbvio tenha sido o grande trunfo da obra, e felizmente, pois é assim que o filme consegue criar estrutura e trazer algo novo para um mercado saturado de reboots e remakes.

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