Crítica | Extermínio: O Templo dos Ossos

Extermínio: O Templo dos Ossos (Reino Unido, Estados Unidos, 2026)

Título Original: 28 Years Later: The Bone Temple
​Direção: Nia DaCosta
​Roteiro: Alex Garland
​Elenco principal: Ralph Fiennes, Jack O’Connell, Alfie Williams, Erin Kellyman, Emma Laird, Cillian Murphy
​Duração: 1h55min
​Distribuição: Sony Pictures

Mesmo que hoje em dia um filme como Extermínio (2002) não tenha o mesmo impacto por conta da reintrodução das histórias de zumbi na cultura pop, segue sendo uma tarefa difícil a de ignorar a sua presença e seu papel no cinema do gênero após a virada do século. Seja pelo roteiro ousado de Alex Garland ou pela direção acelerada de Danny Boyle, o filme se tornou um fenômeno cultural a ponto de mais de 20 anos depois seguir lançando filmes com a mesma propriedade intelectual.

Após o final icônico de Extermínio: A Evolução (2024) e o anúncio que a intenção era realizar uma trilogia, se torna claro que o segundo longa teria alguma relação direta com o anterior. Seguimos paralelamente duas histórias que já estavam apresentadas: a junção de Spike (Alfie Williams) ao grupo dos Jimmys e o que acontece ao Dr Kelson (Ralph Fiennes) e ao seu templo dos ossos já nomeado no título. Tentando ao máximo evitar o spoiler ao leitor que vem ler o texto antes de ir ao cinema – e permitir a emoção de alguns acontecimentos – o que se pode dizer sobre o roteiro é que ele segue a ousadia do primeiro, tanto ao colocar cenas extremamente violentas envolvendo crianças quanto ao introduzir elementos totalmente inesperados. Ele segue a mesma energia descontrolada de outros filmes da franquia, mostrando que mesmo com a intenção de fazer uma trilogia, não parece ter acontecido uma grande concessão do roteiro ao estúdio.

É curioso também que ele venha logo em seguida ao Extermínio: A Evolução, que foi dirigido por Danny Boyle em reprise ao primeiro filme de toda a franquia, mas com uma nova pessoa assumindo a cadeira enquanto Boyle segue como produtor executivo. Não qualquer pessoa, o nome escolhido para a direção foi Nia DaCosta, que ganhou reconhecimento dentro do cinema de gênero com A Lenda de Candyman (2021), mostrou seu conhecimento técnico com cenas de ação em As Marvels (2023) e conseguiu resolver visualmente um thriller dramático como foi Hedda (2024). Se parece desnecessário colocar toda essa filmografia da diretora, isso na realidade faz bastante sentido, pois todas essas experiências ajudaram em todo o trabalho de direção feito na nova obra.

Para quem assistiu ao longa anterior, o roteiro deste pode parecer um tanto óbvio já nos primeiros minutos em relação aos grandes arcos que envolvem os personagens. O que o torna diferenciado é a maneira como essa jornada previsível será realizada. Um primeiro detalhe que certamente se destaca é a elegância com a qual a obra é conduzida, apesar de sua temática mais violenta. Muitas vezes, temos planos abertos indicando uma localização de forma mais contemplativa, seguidos de planos fechados e que destacam a ação dos personagens. Isso dá um ritmo diferente ao filme, saindo da ação frenética para um clima um pouco menos acelerado – notem, menos acelerado ainda é acelerado, dada a temática que exige urgência de todas as ações.

Com esse tempo um pouco mais dilatado, o filme dá a oportunidade de encontrar o camp da direção de arte e aproveitar para se divertir com ela. Desde as perucas loiras apresentadas no grupo dos Jimmys até pequenos detalhes como a transformação na (falta de) vestimenta de Sansão, existe uma oportunidade de se prestar atenção nos detalhes. É bom dizer que isso também dá a oportunidade de se dedicar com precisão ao elemento gore, o que pode causar problemas no Assim, com a precisão que Nia DaCosta demonstrou em Hedda, ela vai nos direcionando para compreender que o final será algo bastante épico.

Mas honestamente, nada nos deixa preparados para o show que Ralph Fiennes apresentará. Sua atuação já foi muito elogiada no primeiro filme, principalmente ao considerarmos que a temática do luto e seus rituais estão em alta após a pandemia de Covid-19. Essa figura do médico humanista é um personagem já interessante, mas o ator consegue entregar a ele uma profundidade e diversão inesperada que fazem com que ele apenas cresça perante os olhos dos espectadores. E isso culmina, literalmente, em um show.

Não deixando os fãs da franquia decepcionados, mas ao mesmo tempo não sendo muito acessível a quem não assistiu Extermínio: Evolução, o filme cria espaço para um terceiro longa que poderá completar a trilogia com chave de ouro ou derrubá-la para o estereótipo de que os filmes decrescem nas trilogias.

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