Dance Freak (Estados Unidos, 2025)
Título Original: Dance Freak
Direção: Robby Rackleff e Alan Resnick
Roteiro: Robby Rackleff e Alan Resnick
Elenco principal: Robby Rackleff, Sarah Sherman, Connor O’Malley, Rachel Kaly, Stavros Halkias, Nate Varrone, Megan Koester
Duração: 97 minutos
Enquanto alguns projetos de cinema acontecem com milhões de dólares, equipamentos caros e planos de marketing e distribuição, existe uma boa parte dos filmes que acontece apenas a partir de um amor pelo audiovisual somado a um orçamento minúsculo, sendo que isso é muito comum dentro do cinema de gênero. É justamente isso que acontece com Dance Freak, a comédia de humor bizarro dirigida por Robby Rackleff e Alan Resnick.

Seus primeiros minutos são decisivos para se compreender se esse é um filme que você irá gostar. Desde a primeira imagem, temos um visual nostálgico, que mistura o preto e branco com uma granulação de imagem que imediatamente nos transporta para um cinema de película. Se isso já pode ser o suficiente para afastar uma parte do público, as suas primeiras cenas são o suficiente para a compreensão sobre que tipo de jornada iremos acompanhar, e logo percebemos que será uma jornada um tanto incomum.
Acompanhamos Obie (interpretado pelo próprio Robby Rackleff), que já na primeira cena do filme está fazendo um curso de carpintaria para fazer casas para passarinhos e que logo em seguida é atacado por aves. Se esse início não é suficientemente estranho, em seguida ele tenta chegar em seu encontro com a namorada Dorty (Megan Koester), mas seguidamente é impedido por situações bizarras, como uma tentativa de um encontro sexual bastante estranho e a abordagem por pessoas que querem que ele coma saladas. Vamos sendo levados por todas essas situações peculiares até a compreensão de uma linha narrativa muito sutil sobre o Dance Freak, uma entidade que dança de forma pouco usual e que acaba se tornando o centro das atenções daquela cidade fictícia.
O tom permanece entre a comédia e o thriller durante todo o longa-metragem, misturando a paranóia do personagem principal, que não consegue compreender o que está acontecendo consigo mesmo, com a comédia que quebra os limites da noção e parece quase não intencional, vinda da naturalidade com a qual os personagens reagem a situações inusitadas. Mesmo as falas, que normalmente são focadas em uma naturalidade dentro do cinema, aqui encontram os modos mais maneiristas o possível, focados justamente em causar estranhamento em quem assiste.
Assim, se o espectador topa a jornada claramente inspirada no universo de David Lynch, mas com uma abordagem ainda mais moderna com foco na cultura do humor nonsense, o filme funciona muito bem e consegue divertir, principalmente por conseguir manter bem o seu ritmo apesar das mais de uma hora e quarenta de duração. Mesmo que existam momentos que parecem pequenas esquetes de comédia, eles vão se juntando de forma a dar sentido ao longa, dando justamente essa sensação de continuidade sem perder o combustível, algo que acontece muito frequentemente em comédias.
Ele claramente não é um filme que agradará todos os públicos, mas certamente tem o potencial de criar alguns fãs extremamente fieis.




