Crítica | Fantasia 2026 | Insecstasy

Insecstasy (Canada, 2026)

Título Original: Insecstasy
Direção: Angus Silver
Roteiro: Angus Silver
Elenco principal: Tirion Healy, Lyndal Huber, Emmet Roiko, Kelsey Thompson, Jan Roeth, Rand Walsh e Eugenie Frances
Duração: 83 minutos

Quando um filme é lançado com a proposta de criar uma conversa sobre os pormenores da sexualidade feminina e ele é dirigido por um homem, admito que já inicio com um pé atrás em relação ao que vai ser exibido. Isso acontece não tanto por conta de um preconceito, mas por um grande histórico de obras que propõem algo inovador e acabam apenas reforçando estereótipos machistas.

Isso só aumenta a surpresa positiva de assistir Insecstasy. No longa-metragem, somos introduzidos a Sadie (Tirion Healy), uma mulher que está tentando equilibrar todas as tarefas de sua vida adulta com um fetiche bastante peculiar: uma fixação erótica por insetos. Isso acaba afetando todas as áreas de sua vida, desde a sua relação com os amigos com os quais não está conseguindo se conectar até as suas frustradas tentativas de encontrar um relacionamento afetivo. Vamos lembrar que aqui, os insetos são colocados como uma metáfora para qualquer prática menos usual, justamente porque eles acabam violando a questão de consentimento que é necessária para qualquer prática fetichista. Mas a escolha não é realizada à toa, exatamente porque os insetos naturalmente já causam asco na maioria das pessoas. Com esse uso, o diretor consegue colocar uma forma física na exteriorização de qualquer desejo que seja considerado fora do comum, e justamente por esse aspecto que causa desconforto até nos espectadores com a mente mais aberta, o efeito funciona perfeitamente para as telas.

Essa inventividade funciona bem porque o diretor tem bastante controle das imagens que deseja mostrar. Por um lado, temos toda a questão de como mostrar cenas que envolvam sexo e insetos, e isso é realizado de maneira educadamente aflitiva através da montagem e da escolha de ângulos de câmera que sugerem mais do que podemos realmente ver. Considerando isso e adicionando toda a trama paralela que vemos se passando na cabeça de Sadie na qual ela fantasia ser uma donzela, percebemos que existe uma conversa clara entre a criação dos conceitos e a sua realização em cena. Isso é resultado de uma equipe bem alinhada e com qualidade técnica compatível, que consegue imaginar o funcionamento de uma situação pouco usual e resolvê-la.

A atuação de Tirion Healy também é essencial para o funcionamento da obra. É necessário um tipo de entrega específico para realizar cenas como a masturbação com um gafanhoto em cima de seu próprio corpo, mesmo que tenha sido um objeto animatrônico, pois não há informações sobre isso. Entre essas cenas e a necessidade de um humor um pouco mais ácido, conseguindo transmitir ao mesmo tempo uma fragilidade e um assombro, ela consegue performar de maneira muito convincente em todos os tons necessários. 

O filme encontra o ápice em seus minutos finais, nos quais consegue se livrar das amarras de tentar criar uma obra mais convencional e realmente se joga nas possibilidades da forma audiovisual. Ainda que esse efeito de quebra tenha bastante sentido narrativo, para quem assiste ele parece demorar um pouco, parecendo um pouco derivativo de outros filmes que lidam com o fetiche e a sexualidade feminina até aquele momento. Felizmente, essa mudança de tom em seus últimos minutos acaba reafirmando toda aquela experiência, lembrando da própria metamorfose que o filme propõe.

Ainda que ele entre na categoria de filmes para não assistir com seus pais na sala, ele faz uma interessante exploração sobre o prazer feminino e o que é considerado um tabu. 

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