Crítica | Sobrenatural: Agora Entre Nós

Sobrenatural: Agora Entre Nós (Estados Unidos, Austrália, 2026)

Título Original: Insidious: Out of the Further
Direção: Jacob Chase
Roteiro: Jacob Chase e David Leslie Johnson-McGoldrick
Elenco principal: Amelia Eve, Brandon Perea, Maisie Richardson-Sellers, Sam Spruell, Lin Shaye
Duração: 106 minutos
Distribuição: Sony Pictures

A franquia Sobrenatural já percorreu um longo caminho desde o lançamento do primeiro filme, em 2010. James Wan já está consagrado no cinema de terror, a própria Blumhouse passou a ser uma produtora de grande calibre dentro do cinema de gênero. Então, se inicialmente pensamos que a franquia que esteve presente em alguns dos momentos mais relevantes do terror na última década poderia ser deixada de lado, principalmente após um quinto filme que desapontou tanto fãs quanto críticos. 

Ainda assim, sem muito alarde, Sobrenatural: Agora Entre Nós chega aos cinemas para contar uma nova história nesse universo compartilhado dos outros longa-metragens. Acompanhamos a vida de Gemma (Amelia Eve), uma dentista com um forte trauma de infância que está fazendo o seu melhor para tentar quebrar os ciclos familiares e dar à sua filha Maya (Island Austin) as condições que não teve para crescer. Mas, como se pode esperar de um bom filme de terror, não é isso que o universo deseja para ela, e logo ela se vê em uma situação complicada na qual ela precisa entender as prioridades de sua vida e compreender os fenômenos sobrenaturais ao seu redor.

Temos então a mistura entre drama e terror que já se provou bastante eficiente nos últimos anos, adicionando a questão dos traumas familiares como elemento importante para o andamento da história. O filme se desenvolve de maneira satisfatória, com início, meio e fim bastante claros e clássicos em relação ao desenvolvimento de uma narrativa para o cinema. A grande questão é que a fórmula, mesmo quando básica, se bem pensada e dirigida, pode funcionar muito bem. E compreender isso e não ter medo de utilizar os estereótipos é o que acaba funcionando bem para o novo filme.

Um primeiro elemento simples mas que ajuda a criar o clima de terror necessário é a própria escolha da profissão de Gemma como dentista. Já no começo do filme, somos apresentados a uma simples limpeza nos dentes de uma criança com aparelho ortodôntico, e justamente por não estarmos acostumados com isso, temos um asco quase natural ao ver a quantidade de sujeira que pode se acumular em uma boca humana, no que eu honestamente espero que tenha sido uma representação exagerada. Mas se ele começa brincando com essas expectativas, em algum momento ele também não perde a chance de subvertê-las, repetindo a cena de maneira parecida, mas como se embebida na fonte dos pesadelos. Para qualquer pessoa que já sentou em uma cadeira de dentista, já se forma uma imagem difícil de esquecer, e imagino que a obra tenha criado um novo trauma para toda a categoria profissional.

O mesmo acontece com uma brincadeira que o filme faz com a velhice e com a feiúra. Sabendo o quanto esses elementos trazem de aflição a quem assiste, ele passa a utilizar esses estereótipos para gerar desconforto com a obra. Ele acaba focando mais nesse limiar entre estranheza e desconforto do que em seguir a cartilha de filmes de terror blockbuster de tentar assustar o espectador a todo minuto, o que pode ser frustrante para parte do público, mas funciona muito bem para o filme. O foco fica nessas situações limiares, desconfortáveis, claustrofóbicas, incertas sobre o que você está vendo.

O que mais incomoda é justamente o fato do filme ser parte de uma franquia e, por isso, precisar cumprir algumas expectativas em relação ao elenco e/ou participações especiais. Se algumas delas são muito bem vindas e fazem sentido dentro da narrativas, existem outras, como a existência do demônio que parece fisicamente com o Darth Maul, que simplesmente não conseguem criar uma comunicação com a obra ou com o público além de ser um chamariz simples para quem já conhece e gosta da franquia.

Assim, o filme consegue entreter, assustar e até emocionar, apesar de em nenhum momento ser ousado ou tentar reinventar a roda. Uma prova de que o básico bem feito pode ser mais interessante do que uma tentativa frustrada de criar um filme conceitual e inovador, pelo menos para as bilheterias que podem esperar alguma estabilidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima