A Empregada (EUA, 2025)
Título Original: The Housemaid
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine, Freida McFadden
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar
Duração: 131 minutos
Distribuição: Paris Filmes
Tem filme que, ao tentar ser tudo, acaba sendo pouco. A Empregada (2025) transita entre drama, suspense, romance, terror e termina como uma comédia quase besteirol. É como se, depois de tentar de tudo para continuar funcionando, o próprio filme assumisse que não passa de uma grande piada.

Millie (Sydney Sweeney) é uma jovem com um passado turbulento que tenta recomeçar a vida trabalhando como empregada doméstica na casa de um casal rico. No entanto, assim como ela, os patrões Nina (Amanda Seyfried) e Andrew (Brandon Sklenar) também escondem segredos obscuros.
Adaptado por Rebecca Sonnenshine (The Boys) do romance homônimo de Freida McFadden, o filme tem direção de Paul Feig (Freaks and Geeks, Um Pequeno Favor). O longa começa com a entrevista de Millie com Nina, numa relação de aparente cumplicidade. Ao apresentar a casa, Nina faz comentários íntimos sobre a relação com o marido, criando um clima de suspense.
A narração em primeira pessoa revela os pensamentos de Millie em tom de confissão, indicando que ela está longe de ser a boa menina que aparenta. Ainda assim, a atuação linear e apática de Sweeney (que permanece assim ao longo de quase todo o filme) convence pouco como uma ex-presidiária com dificuldades financeiras. Seyfried interpreta a mulher louca de uma forma um tanto exagerada; e Brandon faz o bom marido musculoso e sedutor que não tem medo de vestir blusa de gola alta em pleno 2025. No geral, é um elenco que se sustenta mais pela beleza do que pela atuação.
O roteiro aposta em sucessivas reviravoltas. Personagens mudam de comportamento de uma cena para outra, e cada plot twist vem acompanhado de explicações mirabolantes e justificativas para situações duvidosas, com pouca base na realidade.
A tentativa de amarrar essas incoerências se dá por diálogos e elementos que se repetem no início e fim, criando uma falsa sensação de fechamento. A mistura de gêneros — que, em si, não é um problema — ocorre aqui de forma desesperada. Em certos momentos, os próprios personagens parecem reconhecer o absurdo das soluções narrativas encontradas, como no diálogo entre Millie e Nina, em que Millie observa: “ninguém vai acreditar nisso”.

A trilha sonora recorre a hits pop de Kelly Clarkson e Taylor Swift para dialogar com o público jovem, enquanto a fotografia e a mise-en-scène apostam em um visual clean, vazio e genérico, com aparência de qualquer outro filme feito para TV ou streaming.
Desta forma, A Empregada se utiliza de temas importantes, como abuso doméstico e psicológico, relações tóxicas e sororidade, para fazer um entretenimento infanto juvenil com pouca reflexão real. No entanto, dado o apelo comercial dos livros de McFadden, é possível imaginar novas sequências no futuro.




