Crítica | Fantaspoa | Interior

Interior (Alemanha, 2025/2026)

Título Original: Interior
Direção: Pascal Schuh
Roteiro: Pascal Schuh
Elenco principal: Knut Berger, Daniil Kremkin, Andreas Nickl, Kristina van Eyck e Monika Lennartz
Duração: 96 min (1h36min)

Ao pensar rapidamente sobre a palavra interior, podemos aferir a ela diversos significados. Por um lado, podemos pensar no que existe dentro de um objeto ou espaço de maneira física, como uma sala que fica no interior de uma casa. Pensando um pouco mais metaforicamente, podemos pensar em algo que é íntimo, como um alívio interior dentro de uma situação de estresse. Assim, é raro que um filme tenha um título que funcione tão bem para aquilo que ele está retratando.

Somos apresentados à obra como quem realmente está adentrando um interior, sem grandes explicações sobre aquilo que estamos assistindo. Vemos um homem quase nu saindo de dentro de um sofá oco, e gravando aquilo que encontra no exterior, que ainda é o interior de uma casa. Após compreendermos que ele entrou nessa casa forçosamente e com a intenção de gravar imagens de seus habitantes, o vemos em sua casa, onde também categoriza essa gravação dentro de toda uma coleção e tira uma foto instantânea de um jantar meticulosamente organizado. Ficamos nesse limiar entre estarmos vendo algo profundamente íntimo e que quase não compreendemos.

É com esse formalismo que toda a obra vai se desenvolvendo. Aceitamos características peculiares desses personagens e de suas relações, assim como compreendemos estar quebrando o mesmo limite que eles, ao observar o interior da casa e da vida dos outros. A câmera funciona como dispositivo voyeurístico para os espectadores, assim como o faz para o casal de protagonistas, que parecem buscar intensamente os sentimentos através do que vêem em tela. Há ainda elementos peculiares que tornam essa história única e que fazem com que sigamos apreensivos para tentar compreender melhor o que se passa, como de onde esse casal se conheceu, quais são as regras do seu relacionamento ou até mesmo qual o real objetivo dessas gravações.

Para quem busca obras que dão respostas muito claras, o filme pode ser um pouco decepcionante, pois a maior parte delas permanecerá um enigma para o espectador. Para quem está mais interessado nos possíveis aspectos psicológicos e da relação entre os personagens e deles consigo mesmos e sua própria humanidade, ele se torna um prato cheio para divagações que acontecem até muito depois do desligar da tela.

Mas o que segue sendo o elemento mais interessante é o uso da câmera para captar o interior de locais e pessoas enquanto o diretor faz o mesmo com os seus personagens. Ao mesmo tempo que essa é uma boa ideia que já foi igualmente bem aproveitada no cinema, aqui há um contexto bastante específico que torna toda a situação ainda mais empolgante. Só que parece que assim como o casal não sabe exatamente o que busca naquelas imagens que grava, o diretor também não consegue expressar exatamente qual o sentido que ele deseja dar ao seu filme. Ainda que exista muita preocupação com o modo que as cenas aparecerão na tela, existe uma ausência de interpretação das imagens, que também reflete um tanto essa busca dos próprios personagens em compreensão da humanidade através das telas.

O filme se torna fascinante quando pensamos em todo esse universo que ele cria e todas as possibilidades de interpretação que ele abre. É impressionante que ele seja um longa-metragem de estreia de um diretor, e causa uma grande curiosidade sobre os próximos passos da carreira de Pascal Schuh.

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