Crítica | Homem Aranha: Um Novo Dia

Homem-Aranha: Um Novo Dia (Estados Unidos, 2026)

Título Original: Spider-Man: Brand New Day
Direção: Destin Daniel Cretton
Roteiro: Erik Sommers e Chris McKenna
Elenco principal: Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jacob Batalon, Jon Bernthal, Mark Ruffalo, Michael Mando, Tramell Tillman
Duração: 150 minutos
Distribuição: Sony Pictures 

Cinco anos após o lançamento de Homem Aranha: Sem Volta Para Casa, o herói amigão da vizinhança retorna aos cinemas, mesmo em meio à crise de popularidade dos filmes da Marvel. Surpreendentemente, mesmo com toda a conversa sobre a exaustão dos filmes de super-heróis, um de seus trailers conseguiu quebrar recordes no Youtube, mostrando que esse cansaço talvez esteja mais presente na crítica do que no público.

O filme se passa após os acontecimentos do filme anterior, que fizeram com que todas as pessoas esquecessem que Peter Parker (Tom Holland) é o Homem Aranha. Como isso significou também que seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon) e sua namorada MJ (Zendaya) esqueceram da sua existência, ele acaba se encontrando em um momento de forte isolamento social, realmente focado em seu trabalho como vigilante. Entre suas frequentes lutas contra pequenos bandidos, ele acaba se deparando com uma força que não consegue facilmente vencer: uma entidade que passa sua consciência de pessoa a pessoa e que está em busca de respostas.

É honestamente difícil falar sobre o filme sem revelar demais e potencialmente estragar a experiência dos fãs, mas compreendo que este é um caso no qual revelar demais realmente atrapalha o senso de descoberta que o filme molda para o espectador. Ainda assim, podemos destacar que a obra lida com uma versão amadurecida do Peter Parker. Em luto pela Tia May (Marisa Tomei), sem conseguir compartilhar suas frustrações e alegrias com ninguém a não ser seu contato na polícia, a detetive Jean DeWolff (Liza Colón-Zayas). Quando toda a situação fica muito crítica, ele passa a sofrer uma espécie de burnout heróico, que passa dos sintomas mentais para também se tornar físico. Isso dá muito mais espaço para que Tom Holland consiga trazer mais camadas para a sua interpretação. Se no primeiro filme da saga ele vinha como um adolescente franzino e extremamente inteligente, aqui ele já aparece como um homem que lida com o peso das escolhas que realizou. Ao mesmo tempo, a sua solidão e sua autopercepção são trazidas como elementos importantes, e tudo isso vai somatizando em sua expressão e sua postura, que mudam bastante ao longo do filme. Quando finalmente temos um momento de alívio (que novamente não citarei diretamente por conta de spoilers) é que percebemos o quanto o ator conseguiu incorporar essa tensão em sua corporalidade.

O filme segue muitas das fórmulas propostas para o gênero, mas se destaca por conseguir manter o estilo proposto nos anteriores também nesta obra. Há, por exemplo, uma quantidade enorme de aparições de personagens que estão nas diversas sagas do Universo Cinematográfico da Marvel, mas eles são colocados de maneira muito mais orgânica na obra do que já aconteceu no passado. Existe um afastamento de toda a noção de multiverso que foi proposta anteriormente, o que acaba sendo um acerto para manter um público mais amplo e que não necessariamente assistiu todos os filmes e séries lançados previamente.

Outro elemento que se destaca é o quanto as cenas de ação estão se aproximando cada vez mais dos videogames. O Homem Aranha já tem uma série de jogos de bastante sucesso, e é difícil não assistir principalmente aos momentos em que ele está se lançando com as teias em meio aos prédios de Nova Iorque ou lutando contra seus inimigos no corpo a corpo e não ter a sensação de que existe um pensamento de jogabilidade implícito ao modo que elas foram pensadas. Por mais que isso não seja uma novidade dentro do universo da ação, é um destaque desse filme que é voltado para o grande público.

Assim, Homem Aranha: Um Novo Dia consegue equilibrar o clima de comédia com uma trama mais séria. Ele não consegue fugir de todos os estereótipos que causaram uma certa exaustão do cinema de heróis, mas consegue driblá-los com eficiência através do humor e de um roteiro mais enxuto em relação às colaborações de personagens de outros filmes. O resultado é um filme que, ao mesmo tempo que parece um pouco mais do mesmo, pelo menos é um mais do mesmo bom.

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