Rio de Sangue (Brasil, 2026)
Título Original: Rio de Sangue
Direção: Gustavo Bonafé
Roteiro: Felipe Berlinck e Dennison Ramalho
Elenco principal: Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Antônio Calloni, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa, Ravel Andrade, Vinícius de Oliveira, Rui Ricardo Diaz
Duração: 1h46
Distribuição: Walt Disney Studios
É engraçado como a figura da Giovanna Antonelli é quase onipresente nas memórias e imaginário de um millenial. De seu papel em O Clone como Jade até sua presença recente como Elvira em Beleza Fatal, ela aparece em diferentes momentos de nossas vidas. Ainda assim, a atriz experiente ainda está mais ligada aos papeis marcantes na televisão (ou streaming) do que no cinema. Rio de Sangue vem para mostrar a sua versatilidade em um conflito recheado de ação, mas que tem em sua essência uma mãe buscando a reconexão com a filha.

Patrícia (Giovanna Antonelli) já aparece nas primeiras cenas como a policial em um conflito armado envolvendo traficantes de drogas. No meio de sua negociação, ela acaba sendo jurada de morte e precisa sair de cena por um tempo, iniciando a real trama do filme que é a sua ida para o Pará para ficar com a filha Luiza (Alice Wegmann). Mas, como em todo bom clichê de ação, a sua filha acaba também entrando em perigo, e Patrícia precisa utilizar toda a sua experiência como policial para recuperar a filha médica que é sequestrada por garimpeiros.
Já é interessante que o filme se mostra consciente das convenções de enredo do gênero da ação e se coloca disposta a brincar com eles. Começamos com a questão da policial que está afastada do trabalho e acaba precisando agir da mesma maneira, e chegamos até a questão de quanto um familiar está disposto a agir quando está pensando na segurança de seu filho – que aqui é inclusive invertido em gênero, sendo normalmente um pai que está tentando salvar a filha. Ainda que exista essa clara inspiração em um cinema mais hollywoodiano, a obra tenta colocar o seu tempero latino através das disputas por terras entre garimpeiros e indígenas, mas, tal qual sua inspiração, acaba pisando em ovos para lidar com esse tema, deixando toda a discussão bastante superficial.
Algo que surpreende é a qualidade técnica e a boa direção das cenas de ação, principalmente por esse não ser um gênero tão explorado dentro do cinema brasileiro. Entre a boa coordenação das cenas permitindo que se compreenda quem está fazendo o quê e quando, também há uma boa variedade de lutas e disputas que fazem com que o espectador siga grudado na tela esperando os próximos acontecimentos. Claro, há momentos rocambolescos nos quais as reviravoltas acabam sendo excessivas, mas ainda assim ele demonstra ter um bom controle de onde a obra quer chegar.
Mas, citando os exageros, é difícil deixar de fora a narração excessiva que se coloca durante todo o filme. Isso porque ela é realizada por Mario (Fidelis Baniwa), um personagem mais secundário ao roteiro, mas que coloca um ponto de vista importante dentro do cenário brasileiro, que é o indígena. É óbvio que é importante incluir essa visão dentro de um conflito de terras, mas a forma que isso é realizado soa forçada e desloca os espectadores desse cerne da reconstrução da relação entre mãe e filha. Soa como se os realizadores soubessem da necessidade dessa abordagem, mas não conseguissem encaixá-la bem dentro da trama, criando uma solução funcional, mas pouco criativa e um pouco desorientadora para quem assiste.
É quase desnecessário dizer o quanto Antonelli brilha dentro do filme, carregando consigo a força dessa mãe obstinada e disposta a fazer de tudo para encontrar a filha. Ter essa heroína como ponto de partida do filme foi uma excelente ideia que certamente fará com que muitas pessoas se aproximem da narrativa.
Assim, temos um filme brasileiro de ação sendo lançado no mercado, algo raro e bastante divertido de assistir. É feliz que esse momento de expansão do sucesso do cinema nacional ajude a viabilizar todos os tipos de narrativas, com muitos olhos sendo colocados em cima dos nossos lançamentos.




