Como uma boa frequentadora do festival FantasPOA já há alguns anos e também uma fã das sessões de meia-noite do TIFF, ver os filmes selecionados para o Fantasia é sempre um bom indício do melhor que o cinema fantástico terá a apresentar no próximo ano. Assim, retirando os títulos que já foram assistidos esse ano no Festival de Cannes, seguem as obras que me chamaram mais a atenção na programação.
O Festival acontece presencialmente em Montreal, de 16 de julho a 2 de agosto de 2026.
Her Private Hell (EUA e Dinamarca, 2026)
Dir: Nicolas Winding Refn
Roteiro: Nicolas Winding Refn e Esti Giordani
Elenco: Sophie Thatcher, Charles Melton, Havana Rose Liu, Kristine Froseth, Dougray Scott, Shioli Kutsuna, Aoi Yamada, Diego Calva, Hidetoshi Nishijima
Duração: 1h49min
Sinopse: Uma névoa misteriosa toma conta de uma metrópole futurista, liberando uma entidade mortal; uma jovem atormentada busca o pai enquanto cruza caminho com um GI americano numa odisseia para resgatar sua filha do Inferno.

O filme teve sua estreia nas mostras paralelas do Festival de Cannes e marca o retorno de Nicolas Winding Refn (Drive, O Demônio Neon) para as telonas após 10 anos em outros projetos. Se a direção não fosse o suficiente para causar pelo menos curiosidade, ele ainda traz nomes relevantes de uma nova geração de atores como Sophie Tacther (Yellowjackets), Havana Rose Liu (Bottoms) e Charles Melton (Riverdale). As imagens de divulgação trazem uma estética futurista neon que remete a O Demônio Neon e criam ainda mais empolgação em relação a este universo futurista proposto.
Freaks Part II (Canadá, 2025)
Dir: Zach Lipovsky e Adam Stein
Roteiro: Zach Lipovsky e Adam Stein
Elenco: Amanda Crew, Lorelei Olivia Mote,Audrianna Lico e Donald Sales
Duração: Não informada
Sinopse: sequência do cult sci-fi de 2018; mãe e filha vivem escondendo seus poderes enquanto são caçadas pela Força de Defesa Anormal, e a mãe busca vingança contra a oficial que matou seu primeiro filho.

Freaks (2018) foi a obra que tornou o nome de Zach Lipovsky e Adam Stein mais conhecidos ao público, antes de dirigirem o recente Premonição 6: Laços de Sangue. Assistir à continuação de um filme que se tornou imediatamente um clássico cult realizado pelos mesmos criativos por trás do primeiro já é um motivo para curiosidade dos fãs do cinema de gênero, assim como o retorno a esse universo meticulosamente pensado. O filme inclusive parece ser o tipo que, se bem recebido, passará em uma das sessões da meia-noite do TIFF.
Village of Eight Gravestones (Japão, 2026)
Direção: Takashi Shimizu
Roteiro: Takashi Shimizu e Shintaro Ogao
Elenco: Matsuya Onoe, Tomoya Oku, Mayu Hotta, Kiyohiko Shibukawa
Duração: 114 min
Sinopse: Tatsuya visita o vilarejo rural onde sua mãe viveu e conhece o detetive Kosuke Kindaichi (personagem clássico da literatura policial japonesa de Seishi Yokomizo), envolvendo-se na violenta história do clã Tajimi enquanto assassinatos inspirados numa dança tradicional se acumulam.

Se horror folclórico japonês não for um gênero que te empolga por si só, saber que se trata de uma adaptação do livro clássico de 1951 talvez já traga mais um elemento à mesa. O diretor é famoso pela franquia O Grito, assim como a sua adaptação ao universo hollywoodiano trazendo a franquia ao Japão. Podemos esperar uma atmosfera assustadora, bastante ligada à cultura local japonesa.
Corpus (EUA, 2026)
Direção: Corrin Evans
Roteiro: Corrin Evans e Lily Cowles
Elenco: Jeff Wahlberg, Brodie Townsend, Michael Vlamis, Lily Cowles, Nuga Jhez Izman e Ching Valdes-Aran
Duração: 1h42min
Sinopse: Body horror erótico e sobrenatural que mistura psicologia, desejo e identidade.

Temos aqui o primeiro grande representante de horror dirigido por mulheres, vindo da atriz, diretora curtametragista e coordenadora de intimidade Corrin Evans. Em uma Nova Iorque de 1998, o filme traz um fotógrafo e traficante que acaba conhecendo três mulheres misteriosas em uma festa. O filme tem potencial para cenas incríveis de horror corporal, além de já trazer um interesse especial pela direção feminina
Insecstasy (Canadá, 2026)
Dir: Angus Silver
Roteiro: Angus Silver
Elenco:Tirion Healy, Lyndall Huber, Emmet Roiko, Kelsey Thompson, Jan Roeth e Randy Walsh
Duração: 1h23min
Sinopse: Sadie tem dificuldades em equilibrar trabalho, sua vida social e sua fascinação erótica com insetos.

Se essa sinopse não te causa um interesse imediato, esse provavelmente não é um filme para você – mas é para mim. Entre o universo sexual peculiar e certamente ligado à estética do fetiche e a possibilidade de um drama relacionado ao isolamento, este é o tipo de filme peculiar que normalmente eu busco dentro de um festival voltado ao cinema de gênero. Ler a sua sinopse e ver que o diretor também é responsável por Church of the Flying Saucer apenas aumenta o meu interesse.
Mum, I’m Alien Pregnant (Nova Zelândia, 2026)
Direção: THUNDERLIPS (dupla Sean Wallace and Jordan Mark Windsor)
Roteiro: Jordan Mark Windsor
Elenco: Hannah Lynch, Arlo Green, Yvette Parsons, Jackie van Beek, Jonny Brugh e Karen O’Leary
Duração: 1h35min
Sinopse: A trama segue uma jovem millennial desorganizada que engravida acidentalmente de um extraterrestre e precisa superar médicos céticos, um parceiro inútil e uma mãe superintrometida para sobreviver e recuperar sua vida.

Novamente, é o tipo de sinopse que ou imediatamente deixa o espectador interessado em assistir à obra ou totalmente desinteressado no que acontecerá. Como eu sou do primeiro tipo, estou de olho no filme desde o seu lançamento este ano no Festival de Sundance. Com toques de horror, comédia e sci-fi, a obra tem o potencial de conquistar risadas e corações.
Privadas de Suas Vidas (Brasil, 2026)
Direção: Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre
Roteiro: Antonia Baudoin, Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre
Elenco: Majeca Angelucci, Rodrigo Apresentador, Regina Braga, Maria Gladys, Chandelly Braz e Bruce LaBruce
Duração: 1h51min
Sinopse: A trama acompanha Malu, uma mãe que, enquanto lida com problemas de luto e a identidade de gênero do filho adolescente, acidentalmente desencadeia uma maldição surreal e violenta que transforma os vasos sanitários do seu prédio em criaturas assassinas.

Além de ser o grande representante brasileiro no festival, ele também ficou conhecido por ser um filme com cenas bastante nojentas, o que traz um público específico a se interessar. Entre horror, comédia e até um drama familiar, o filme conta com a produção executiva de Rodrigo Teixeira, com sua empresa por trás de nomes como A Bruxa e O Farol. Mesmo que eu não quisesse assistir por ser um destaque brasileiro em festivais internacionais, ainda tem toda a trama surreal que realmente o destaca.
No Rest for the Wicked (Dinamarca, Islândia e Ilhas Faroe, 2026)
Direção: Kasper Kalle
Roteiro: Rasmus Birch, Kasper Kalle e Karl Heinreich Ulchris
Elenco: Pilou Asbæk, Egor Venned, Sofia Nolsoe, Jóhannes Haukur Jógannesson, Kjartan Hansen e Búi Dam
Duração: 1h43min
Sinopse: A trama é ambientada no ano de 1862 e acompanha Baldur, um jovem pescador que vive isolado nas Ilhas Faroe, no Atlântico Norte. A sua rotina sofre uma reviravolta com a chegada de um forasteiro chamado Helge, um robusto baleeiro. A presença do estranho desperta sentimentos profundos em Baldur, e uma forte atração mútua começa a crescer entre os dois.

Aqui, o maior interesse é pelo filme de horror queer, também um dos elementos em que mais tenho interesse dentro do cinema de gênero. Com essa atmosfera de isolamento do mundo ao redor e a promessa de um romance obscuro juntado ao terror, o filme tem o potencial de ganhar o gosto de espectadores ao redor do globo.
We’re Nothing At All (Hong Kong, 2026)
Direção: Herman Yau
Roteiro: Herman Yau
Elenco: Patrick Tam, Anson Kong, Ansonbean, Chu Pak-Him, Rachel Leung, Wong You-nam
Duração: 2h08min
Sinopse: inspirado no atentado a ônibus de Wuhan em 1998, acompanha três homens de diferentes origens cujas vidas se cruzam após um ataque a bomba no Dia dos Namorados; venceu o prêmio do público no Hong Kong International Film Festival.

De Herman Yau, diretor de Hong Kong pouco conhecido no Brasil mas com mais de 80 filmes em sua carreira, essa é uma boa oportunidade para assistir a um representante do cinema do país. A mistura entre história ficcional e evento real também me gera interesse, trazendo elementos de drama e crime real para as telas.
Hot Spot (Polônia, Grécia, Suécia e Noruega, 2026)
Direção: Agnieszka Smoczyńska
Roteiro: Robert Bolesto
Elenco: Noomi Rapace, Andrzej Konopka, Reika Kirishima, George Aurimas Cris, Kilippa Koutoupa, Kiki Sereti e Ektor Liastos
Duração: 1h40min
Sinopse: O filme acompanha um detetive particular que investiga um assassinato e acaba descobrindo um grupo rebelde capaz de derrubar o domínio digital. À medida que sua identidade se revela, seu mundo entra em colapso.

Eu já fico interessada só em saber que o filme vem da mesma dupla de diretora e roteirista de A Atração, filme com uma atmosfera bastante particular que dá um toque moderno à lenda da pequena sereia. Juntar isso a um universo futurista, a discussão sobre uma IA senciente e a Noomi Rapace, por quem eu sou encantada desde Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, parece uma combinação perfeita.
The Last Footage (Mianmar, 2026)
Direção: Arkar Soe Oo
Roteiro: Arkar Soe Oo
Elenco: Kyaw Kyaw Bo, Charlie Nyein, Li Li Kyaw Khaing, Swan Htet Aung e Lain Maw Tee
Duração: 1h28min
Sinopse: O que começa como uma viagem e aventura de um grupo de amigos em uma cabana remota, localizada na misteriosa e assombrada Floresta Wingabar, rapidamente se transforma em um pesadelo implacável. A narrativa entra em uma espiral de horror quando um menino desaparece.

Honestamente, aqui o filme já tem a minha atenção pelo simples fato de ser um filme de gênero do Mianmar, país tão inacessível pelos estrangeiros e cujo cinema me é completamente desconhecido. Pensar em uma obra que de certa forma ajuda a compreender o que é considerado aterrorizante por um diretor local traz o potencial de ser um daqueles filmes que nos ajuda a compreender melhor o mundo ao nosso redor.




