Histoires de la nuit (França, 2026)
Título Original: Histoires de la nuit (Título internacional: The Birthday Party)
Direção: Léa Mysius
Roteiro: Léa Mysius (baseado no livro homônimo de Laurent Mauvignier)
Elenco principal: Hafsia Herzi, Benoît Magimel, Bastien Bouillon, Monica Bellucci, Tawba El Gharchi, Paul Hamy
Duração: 114 minutos (1h 54min)
Pensando novamente em como os filmes para um festival são selecionados, sabemos que existe uma questão dos diretores que querem lançar seus filmes naquele espaço e das temáticas que eles abordaram nesses filmes, que por vezes têm mais de um ano de demora para a produção. Ou seja, a temática da descoberta sobre algo na vida de seu companheiro amoroso que você não sabia e que muda sua opinião em relação a ele é algo que realmente está circulando como algo importante neste momento.

Aqui, temos o casal improvável de Thomas (Bastien Bouillon), Nora (Hafsia Herzi) e sua filha Ida (Tawba El Gharchi) vivendo em um pequeno vilarejo rural isolado, na qual são acompanhados apenas da artista Cristina (Monica Bellucci). Começamos compreendendo um pouco do seu dia-a-dia, a desconexão de Nora com a fazenda de gado do marido, a amizade deste com a vizinha, e a filha como uma observadora de tudo o que está ao seu redor. Só que essa paz aparente é quebrada por dois acontecimentos. Em primeiro lugar,
um planejamento da festa de 40 anos de Nora, que mobiliza todos ao seu redor. Em segundo, uma postagem de vídeo de Ida, que a coloca dançando com o pai, e que acaba viralizando nas redes sociais.
A partir daí, o que poderia ser apenas um drama familiar acaba se tornando um thriller de invasão domiciliar e uma grande discussão sobre identidade. Principalmente através da atuação do trio de mulheres (Herzi, El Gharchi e Belucci), conseguimos compreender que a diretora quer nos levar a uma reflexão sobre as repressões e dificuldades da vida como mulher, além da importância da compreensão e cooperação. Só que isso é trazido a partir de uma narrativa bastante violenta e que por muito tempo deixa o espectador com mais dúvidas do que respostas.
Algo impressionante é como a diretora consegue manter a tensão tanto através do roteiro quanto da montagem. A obra depende bastante de que o espectador siga com uma inquietude sobre compreender o mistério proposto para se manter interessado, e entre os cortes entre as duas casas vizinhas e o fato das informações serem dadas pouco a pouco dentro do andamento da fatídica noite fazem com que nos mantenhamos atentos por toda a sua duração. A capacidade também de manter a obra em uma duração que não torture os seus espectadores, justamente por eles estarem nesse estado de nervosismo, também é bastante relevante.
Quando nos aproximamos de seu final, é importante dizer que a obra acaba deixando muitos elementos em aberto para que pensemos sobre eles. Essa é uma abordagem de cinema que funciona muito bem com um público mais nichado, mas que pode ser um fator de afastamento para quem busca narrativas mais fechadas.
Novamente, temos um filme interessante, mas que não consegue utilizar seus pontos fortes para se tornar excelente. Uma execução mais prática do que artística, por exemplo, faz com que alguns elementos sejam deixados de lado, enquanto eles poderiam elevar a experiência de quem assiste.
In English, translated by Renata Torres:
Night Stories (France, 2026)
Original Title: Histoires de la nuit (International Title: The Birthday Party)
Director: Léa Mysius
Screenplay: Léa Mysius (based on the novel of the same name by Laurent Mauvignier)
Main Cast: Hafsia Herzi, Benoît Magimel, Bastien Bouillon, Monica Bellucci, Tawba El Gharchi, Paul Hamy
Running Time: 114 minutes
Thinking again about how films for a festival are selected, we know that there is a question of the directors who want to release their films in that space and the themes they address in those films, which sometimes take more than a year to produce. In other words, the theme of discovering something in your romantic partner’s life that you didn’t know and that changes your opinion of them is something that is really circulating as important at the moment.
Here, we have the unlikely couple of Thomas (Bastien Bouillon), Nora (Hafsia Herzi), and their daughter Ida (Tawba El Gharchi) living in a small, isolated rural village, accompanied only by the artist Cristina (Monica Bellucci). We begin by understanding a little of their daily lives: Nora’s disconnection from her husband’s cattle farm, his friendship with the neighbor, and their daughter as an observer of everything around her. But this apparent peace is broken by two events. First, the planning of Nora’s 40th birthday party, which mobilizes everyone around her. Second, a video posted by Ida, showing her dancing with her father, which ends up going viral on social media.
From then on, what could be just a family drama becomes a home invasion thriller and a major discussion about identity. Primarily through the performances of the trio of women (Herzi, El Gharchi, and Belucci), we understand that the director wants to lead us to reflect on the repressions and difficulties of life as a woman, as well as the importance of understanding and cooperation. However, this is achieved through a rather violent narrative that, for a long time, leaves the viewer with more questions than answers.
What’s impressive is how the director manages to maintain tension through both the script and the editing. The work relies heavily on the viewer remaining uneasy about understanding the proposed mystery to stay interested, and the cuts between the two neighboring houses and the fact that information is given little by little during the course of the fateful night keep us attentive throughout its duration. The ability to keep the film at a length that doesn’t torture its viewers, precisely because they are in this state of nervousness, is also quite relevant.
As we approach the end, it’s important to say that the film leaves many elements open for us to think about. This is a filmmaking approach that works very well with a more niche audience, but it can be a turning-off factor for those seeking more self-contained narratives.
Again, we have an interesting film, but one that fails to leverage its strengths to become excellent. A more practical than artistic execution, for example, means that some elements are left out, while they could enhance the viewer’s experience.
Obrigada, Aline Guevara, pelo apoio! Se você quiser ver o seu nome nas próximas críticas, não esqueça que o financiamento coletivo segue aberto em https://www.kickante.com.br/financiamento-coletivo/ajude-o-no-sofa-com-gatos.




