Crítica | 79º Festival de Cannes | Colony

Colony (Coreia do Sul, 2026)

Título Original: 군체 (Gun-Che)
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiro: Yeon Sang-ho, Choi Gyu-seok
Elenco principal: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook, Kim Shin-rok, Shin Hyun-been, Go Soo
Duração: 2h 02min (122 minutos)

Desde 1978, com Despertar dos Mortos, se existe um tropo que é explorado dentro dos filmes de zumbi é a sua adequação ao espaço físico do shopping center. Seja por conta da metáfora do ser consumista como alguém cujo cérebro já foi consumido ou até pela sua comodidade em trabalhar com o espaço fechado e delimitado, existe uma série de obras focadas nesse formato específico. Quando Colony surge em 2026 com uma proposta semelhante e do realizado pelo diretor do incrível Trem Para Busan (2016), Yeon Sang-ho.

Já não é nenhuma surpresa que o cinema sul coreano ganhou grande projeção internacional, baseado em uma política de proteção do mercado interno de produção que levou a um nível técnico que atualmente coloca o país como um dos grandes pólos da indústria mundial. Esse nível técnico é perceptível nas primeiras cenas do longa-metragem, que trazem o cenário de um arranha-céu enorme, cenas de ação rápidas e efeitos especiais que ficam lado a lado com os do cinema hollywoodiano, que era referência no assunto. O grande diferencial segue sendo cultural, com o país tendo temas e referências específicas e que casam melhor com o seu principal público consumidor, o asiático.

Quando pensamos, então, em um filme de zumbi vindo do país, as principais imagens que são formadas na mente dos espectadores são relacionadas ao alto nível de violência normalmente encontrado nas produções desse tipo. Colony não falha em entregar algo à altura dessa expectativa, com cenas aflitivas e recheadas de sangue. Ao mesmo tempo, ele apresenta uma das temáticas mais clássicas o possível: a vingança contra uma sociedade impetuosa.

Para os aficionados pelos filmes de zumbis, aqui existe um conceito interessante que foi aplicado recentemente à série Pluribus, da mente-colmeia. Mesmo que ele não seja uma grande novidade para quem gosta de ficção científica, é interessante vê-lo sendo aplicado em um contexto do mundo cada vez mais conectado através da internet e das inteligências artificiais. Aqui, ele surge como o diferencial desta espécie de zumbi em relação a outras já apresentadas no cinema, com a possibilidade de aprendizagem e adaptação. A obra inclusive deixa bastante claras quais são as regras para sobrevivência nesse cenário catastrófico, de vez em quando se tornando inclusive repetitivo de tanto salientá-las. Resta ao público partir nessa jornada de ligar os pontos da narrativa, o que é assistido pelo diretor de forma até controladora.

O cinema de gênero, e mais especificamente o de monstros, foi historicamente muito utilizado para fazer grandes críticas sociais de maneiras mais sutis, e talvez esteja aqui o maior erro de Colony. Sua falta de sutileza é enorme, principalmente pela questão da utilização de flashbacks recorrentes de coisas que aconteceram poucos momentos atrás, tornando-se cansativo pela repetição. Ainda assim, ele utiliza sua narrativa para criar uma crítica sobre a sociedade ultracapitalista que leva ao desrespeito com os próximos, sejam eles mulheres, pessoas com deficiência ou simplesmente alguém diferente de si próprio.

O longa-metragem consegue honrar a tradição do gênero trazendo elementos novos à narrativa, mas por vezes perdendo atenção do espectador de tanto pegá-lo pela mão para explicar o que quer dizer.

In English, translated by Renata Torres:

Colony (South Korea, 2026)

Original Title: 군체 (Gun-Che)

Director: Yeon Sang-ho
Screenplay: Yeon Sang-ho, Choi Gyu-seok
Main Cast: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook, Kim Shin-rok, Shin Hyun-been, Go Soo
Running Time: 122 minutes

Since 1978, with Dawn of the Dead, if there’s one trope explored within zombie films, it’s their adaptation to the physical space of the shopping mall. Whether due to the metaphor of the consumerist being as someone whose brain has already been consumed, or even the convenience of working within a closed and delimited space, there are a number of works focused on this specific format. Colony emerges in 2026 with a similar premise to that of the incredible Train to Busan (2016), also from director Yeon Sang-ho.

It’s no surprise that South Korean cinema has gained significant international recognition, based on a policy of protecting the domestic production market, leading to a technical level that currently places the country as one of the major centers of the global film industry. This technical level is noticeable in the film’s opening scenes, which feature a huge skyscraper, fast-paced action scenes, and special effects that rival those of Hollywood, which was once a benchmark in the field. The major difference remains cultural, with the country possessing specific themes and references that better resonate with its main consumer audience, the Asian market.

When we think, then, of a zombie film from South Korea, the main images that form in viewers’ minds are related to the high level of violence typically found in productions of this type. Colony does not fail to deliver something that lives up to this expectation, with harrowing and blood-soaked scenes. At the same time, it presents one of the most classic themes possible: revenge against an impetuous society.

For zombie movie aficionados, there’s an interesting concept here that was recently applied to the Pluribus series, the hive mind. Even if it’s not exactly new for science fiction fans, it’s interesting to see it applied in a context of a world increasingly connected through the internet and artificial intelligence. Here, it emerges as the differentiating factor of this zombie species compared to others already presented in cinema, with the possibility of learning and adaptation. The work even makes the rules for survival in this catastrophic scenario quite clear, sometimes becoming repetitive by constantly emphasizing them. It’s up to the audience to embark on this journey of connecting the dots of the narrative, which the director oversees in a somewhat controlling way.

Genre cinema, and more specifically monster movies, has historically been used to make subtle social critiques, and perhaps this is Colony’s biggest mistake. Its lack of subtlety is enormous, mainly due to the recurring use of flashbacks to events that happened just moments ago, becoming tiresome through repetition. Even so, it uses its narrative to create a critique of ultracapitalist societies that lead to disrespect for others, be they women, people with disabilities, or simply someone different from oneself.

The feature film manages to honor the genre’s tradition by bringing new elements to the narrative, but at times loses the viewer’s attention by constantly trying to explain what it wants to say.

Obrigada, Aline Guevara, pelo apoio! Se você quiser ver o seu nome nas próximas críticas, não esqueça que o financiamento coletivo segue aberto em https://www.kickante.com.br/financiamento-coletivo/ajude-o-no-sofa-com-gatos.

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