Todo Mundo em Pânico (EUA, 2026)
Título Original: Scary Movie
Direção: Michael Tiddes
Roteiro: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez
Elenco principal: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris, Regina Hall, Kenan Thompson, Dave Sheridan, Lochlyn Munro, Kim Wayans, Cheri Oteri, Chris Elliott, Damon Wayans Jr. e Heidi Gardner
Duração: 96 minutos
Distribuição: Paramount Pictures
É impossível para qualquer pessoa nascida nos anos 1990 nunca ter se deparado com algum filme da franquia Todo Mundo em Pânico. Aproveitando uma onda de muito sucesso dos filmes de terror como o próprio Pânico (1996) e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), criou-se uma obra que parodiava tudo aquilo que era apresentado como horror, trazendo para a comédia. Mas, assim como aconteceu com a propriedade intelectual original, os filmes acabaram perdendo a mão e o controle criativo com o passar dos anos, parando em Todo Mundo em Pânico 5 (2013). Agora, em 2026, eles retornam com o que é ao mesmo tempo uma sequência e um reboot da franquia.

Neste filme, somos apresentados a uma nova geração de personagens, todos relacionados a outros que já faziam parte da franquia. Tudo começa quando Tuesday (Savannah Lee Nassif) é atacada pelo Ghostface, e somos levados a crer que uma nova onda de assassinatos acontecerá. A questão é que ela é filha de Cindy Campbell (Anna Faris), de forma que o legado da série está profundamente ligado a essa mudança geracional. Isso acontece com a maioria dos novos personagens, como Sara (Olivia Rose Keegan), irmã de Tuesday e filha de Cindy, Brad e Dei Meeks (Gregg Wayans e Sydney Park), irmãos filhos de Brenda (Regina Hall), e Jess (Benny Zielke), filho de Greg Phillippe (Lochlyn Munro).
Grande parte do humor da obra está nessa relação intergeracional. Da dificuldade nos usos de pronomes de alguns dos personagens mais jovens até a mudança no que é aceitável dentro de um filme, existe uma atualização de pautas. O interessante é que ao invés de seguir um caminho que poderia parecer óbvio de apenas reclamar da nova geração, o filme também faz questão de mostrar que os tempos realmente mudam, com os personagens mais velhos por vezes sendo alvo dessas piadas pela sua desatualização. Assim, eles conseguem seguir com o seu legado de fazer humor com toda e qualquer coisa, mas tomando um certo cuidado em compreender que realmente estamos praticamente dez anos depois do último filme lançado e que a sociedade passa por mudanças – e o cinema deve acompanhá-las ao invés de ignorá-las, até por ele influenciar e ser influenciado por essa mesma sociedade. Sem se forçar a mudar como eles fazem piadas de forma indiscriminada mas também não sendo cegos ao que acontece ao seu redor, a obra encontra um equilíbrio muito funcional.
Apesar disso, é inegável que ele funciona muito mais como uma série de esquetes do que como um filme com uma estrutura narrativa sólida, e essa é uma grande crítica que pode ser feita a ele. Muitos dos momentos, inclusive alguns que aparecem em trailers, parecem completamente isolados da história principal porque existia ali uma boa piada para ser feita. Por mais que isso seja um fator facilmente relevado para o público que vai ao cinema apenas para dar risadas, que são o principal alvo dele, é impossível não sentir essa fragmentação ao ver até estilos de filmagem muito diferentes sendo colocados em tela.
O mesmo acontece com algumas piadas datadas relacionadas principalmente pela relação entre o elenco antigo e o novo. Questões como piadas com danças de TikTok e até mesmo a necessidade de se autorreferenciar vão fazendo com que o ritmo acabe esgotando um pouco o público, principalmente quando chegamos ao seu final. A duração de 96 minutos parece ideal, porque qualquer extensão faria com que a obra apenas continuasse em um ciclo de repetição.
Assim, apesar do filme realmente trazer essa renovação do humor sem deixar de lado a sua identidade como metralhadora de piadas, mesmo o excelente elenco antigo e as boas adições do novo não conseguem sustentar o longa-metragem escrito de maneira fragmentada. Novamente, a experiência segue sendo bastante divertida, mas também cansativa ao repetir as mesmas fórmulas.



